Estudantes de Medicina pedem ajuda!

Estudantes de Medicina pedem ajuda!

Rodrigo Junqueira*

09 de setembro de 2020 | 05h00

Rodrigo Junqueira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Durante 3 meses, realizamos uma pesquisa com algumas centenas de estudantes de Medicina de todo o Brasil para avaliar os impactos da quarentena em seu bem-estar.

Em abril desse ano, lançamos uma pesquisa através do Jaleko WeCare – iniciativa do Jaleko que foca no bem-estar do estudante de Medicina – com o objetivo de avaliar como a quarentena estava impactando na saúde física e mental dos estudantes de medicina do Brasil. Ao todo, 294 estudantes contribuíram com respostas à um questionário com 8 perguntas. Apesar da amostra pequena, os resultados trazem reflexões valiosas. Confira a seguir:

Como os estudantes estão se sentindo?

Quase 75% dos estudantes não estão bem. A maioria se diz ansiosa, de “saco cheio” ou preocupada. Apenas 1/4 se sente bem ou incrível. Os principais motivos citados como causa da ansiedade foram:

– Incertezas em relação aos impactos na faculdade (atraso na formatura, paralização das aulas presenciais, início de EAD, prejuízo na formação acadêmica);

– Preocupação com a saúde dos familiares;

– Potenciais impactos financeiros de uma crise econômica.

Somente 8% não têm estudado durante a quarentena. Apesar de toda ansiedade e preocupação, a maioria dos alunos vem mantendo uma boa rotina de estudos, com mais da metade com uma frequência de pelo menos 5 dias/semana. Enquanto não estão estudando, esses estudantes estão:

– Navegando na Internet ou Instagram;

– Assistindo séries e/ou LIVEs;

– Praticando atividades físicas;

– Lendo;

Quase metade dos que responderam estão sedentários durante a quarentena. Existem algumas evidências na literatura que mostram que o sedentarismo entre universitários de Medicina fica entre 20-50%. Portanto, aparentemente não houve piora significativa, porém não deixa de ser alarmante que 47% não têm praticado nenhum exercício. Para piorar, o isolamento dificulta e limita a prática de atividades físicas externas.

Apenas 16% está mantendo uma dieta saudável e balanceada. A esmagadora maioria se encontra em cima do muro, variando entre alimentação saudável e “chutadas de baldes”. Pesquisas entre o público geral mostram ainda aumento do consumo de bebidas alcoólicas.

O retrato final parece mostrar que o estudante de Medicina durante a pandemia encontra-se ansioso, com elevado nível de sedentarismo, alimentação de qualidade variável e que vem mantendo uma rotina de estudos.

Algumas dicas para ajudar a melhorar esse cenário

É claro que se trata somente de um retrato de uma pesquisa com uma pequena amostra, porém ainda assim vou deixar algumas dicas de como cuidar melhor do seu bem-estar enquanto a tão sonhada vacina não chega:

  1. Atenda às suas necessidades básicas – Durma, coma e hidrate-se regularmente e limite o uso de álcool e outras substâncias para otimizar seu rendimento e seus estudos.
  1. Tenha um(a) “companheiro(a) de batalha” – Estabeleça suporte aos seus colegas e use ferramentas de contato (presenciais, telefone, texto ou e-mail) para fornecer incentivo e lembrar que vocês estão juntos(as) nessa empreitada.
  1. Faça pausas – Reserve um tempo para se concentrar em algo que não seja os estudos, mesmo por apenas alguns minutos, para ter um pouco de lazer e distração.
  1. Permaneça conectado(a) – Dar e receber apoio de familiares, amigos e colegas é essencial em uma crise e ajuda a reduzir os sentimentos de isolamento.
  2. Atualize-se – Confie em fontes confiáveis de informação. Participe de grupos de trabalho onde informações relevantes são fornecidas.
  1. Faça auto-avaliações regulares – Fique de olho quanto a sinais de aumento do estresse. Converse e desabafe com seu companheiro ou companheira de batalha, outro colega, familiar, amigo(a) ou chefe, se necessário.
  1. Olhe para o futuro – Pode ser difícil, mas é vital lembrar que essa crise terminará. Invoque suas forças pessoais e incentive isso nos outros.

*Rodrigo Junqueira, sócio-executivo do Jaleko e médico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

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