Estudante e advogado movem ação popular contra Lula ministro

Estudante e advogado movem ação popular contra Lula ministro

André Bueno Guimarães e Juliano Witzler Guimarães afirmam que 'não cheira bem' a nomeação do ex-presidente para compor a equipe de Dilma como chefe da Casa Civil

Julia Affonso

16 de março de 2016 | 16h35

Lula é o novo ministro-chefe da Casa Civil. Foto: André Dusek/Estadão

Lula é o novo ministro-chefe da Casa Civil. Foto: André Dusek/Estadão

O estudante André Bueno Guimarães e o advogado Juliano Witzler Guimarães protocolaram nesta quarta-feira, 16, ação popular na Justiça Federal, em Campo Grande, contra a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Em nota pública, a presidente Dilma anunciou que Jaques Wagner deixará a pasta e assumirá a chefia do Gabinete Pessoal da Presidência da República.

“Propusemos a ação popular questionando a nomeação do ex-presidente Lula por duas razões muito simples: a primeira a motivação do ato (de Dilma) é egoísta, visa proteger Lula e o governo Dilma, contrariando o interesse público que foi manifestado nas ruas no domingo passado (13); a segunda razão é que a nomeação fere a moralidade administrativa, porque nenhum cidadão quer ver ocupando um cargo de ministro do Estado um cidadão denunciado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. De sorte que isso não cheira bem”, afirmou o advogado Juliano Witzler Guimarães, que atua para o estudante.

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Lula foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no caso tríplex. O documento foi protocolado na 4ª Vara Criminal de São Paulo. Os promotores Cássio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araujo pediram ainda a prisão do petista.

Na segunda-feira, 14, a juíza Maria Priscilla Ernandes, da 4ª Vara Criminal de São Paulo, decidiu mandar para o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, a denúncia e o pedido de prisão feitos pelo Ministério Público estadual contra Lula. São acusados também a ex-primeira-dama Marisa Letícia, o filho mais velho do casal Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e mais 13 investigados. Na lista estão o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o empresário Léo Pinheiro, da empreiteira OAS, amigo de Lula, e ex-dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop).

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Ao assumir o cargo, Lula ganha foro privilegiado, saindo assim da alçada do juiz federal Sérgio Moro. O ex-presidente é alvo de investigação da Operação Lava Jato, com sede em Curitiba, por suspeita de ter recebido vantagens indevidas de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobrás. Lula nega as irregularidades sob suspeita da força-tarefa, como obras pagas pelas empresas em um sítio em Atibaia usado pelo petista e em um tríplex no Guarujá construído pela OAS.

A ação popular tem dez pedidos à Justiça Federal. Na lista, o estudante e o advogado pedem que seja concedida medida liminar contra a nomeação de Lula e a intervenção do Ministério Público Federal.

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