Estudante da USP é preso durante aula na Operação Luz na Infância contra pedofilia

Estudante da USP é preso durante aula na Operação Luz na Infância contra pedofilia

Em nota, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas afirma que 'policiais civis uniformizados e fortemente armados entraram em salas de aula para buscar um aluno acusado de crime potencialmente grave que choca a comunidade' e critica interrupção de atividades nesta quinta, 28, para execução de mandado

Luiz Vassallo, Ana Paula Niederauer e Felipe Resk/SÃO PAULO, e Breno Pires/BRASÍLIA

28 de março de 2019 | 16h55

Foto: Marcos Santos/USP

Um aluno da USP foi preso na manhã desta quinta-feira, 28, no âmbito da Operação Luz na Infância 4, que mira disseminação e produção de pornografia infantil. Segundo a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, ele foi detido dentro da sala de aula por agentes da Polícia Civil. A ação integrada do Ministério da Justiça e Segurança Pública prendeu 106 pessoas em todo País.

“Nós recebemos esses dados do Senasp, o alvo era móvel, não tínhamos informação sobre a residência, foi encontrado na sala de aula na USP e a prisão foi realizado com todo o cuidado sem que ninguém se ferisse ou houvesse qualquer abuso. O principal alvo obviamente é um telefone que era a prova e se a gente perdesse ele de dentro da sala poderíamos perder a prova contra ele. Ele foi preso e no telefone foram encontrados os materiais que interessavam à investigação”, disse o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes.

Além das prisões em flagrante por armazenar conteúdo ilegal, que ainda podem aumentar em quantidade, foram cumpridos 266 mandados de busca e apreensão. Pelo menos uma das pessoas presas era um produtor de conteúdo pornográfico, com material e equipamentos para produzir vídeos. A maioria dos presos se encontrava no estado de São Paulo.

A Luz na Infância 4 foi coordenada pela Secretaria de Operações Integradas, do MJSP, em parceria com as Polícias Civis do Distrito Federal e de 26 Estados. O trabalho inclui pesquisas e investigações cibernéticas, concentrado dentro do no MJSP. Ao todo, foram mobilizados mais de 1.500 policiais para o cumprimento da missão.

Em nota, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP afirmou que um aluno foi preso, nesta quinta-feira, 28, em sala de aula, por policiais civis, em razão de suposto crime ‘potencialmente grave que choca a comunidade’. A Instituição criticou o fato de o aluno ter sido preso dentro da instituição, interrompendo a aula.

A Faculdade afirma que ‘policiais civis uniformizados e fortemente armados entraram em salas de aula para buscar um aluno acusado de crime potencialmente grave que choca a comunidade’. “O estudante foi levado para uma delegacia onde responde a acusações”.

A diretoria afirma que ‘é inteiramente a favor do combate a crimes potencialmente graves que chocam a comunidade’. “Temos uma longa tradição de estudos e ações com vistas a combater quaisquer tipos de violência”.

“Sem entrar no mérito das acusações, que a Justiça irá julgar, resguardados os direitos também do acusado, de acordo com os preceitos do Estado democrático, chocou-nos a desproporcionalidade entre os fins e os meios do procedimento policial. Por que o aluno não foi preso na sua residência, como seria típico de um flagrante? Para quê interromper aulas com armas à vista na Universidade? Para quê mobilizar duas dezenas de policiais uniformizados e com uso de metralhadoras para prender o acusado nos prédios da USP?”, diz a Universidade.

“A diretoria da Faculdade está acionando a procuradoria da Universidade com vistas a esclarecer o episódio. Não vamos aceitar calados que a imagem da FFLCH-USP e a autonomia desta instituição sejam violados por ações injustificáveis. O mais do que necessário combate à criminalidade não pode justificar a agressão às instituições universitárias”, conclui, por meio de nota.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA:

Na manhã desta quinta-feira, 28 de março de 2019, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP) foi surpreendida por uma ação policial nos edifícios da Diretoria e Administração, Prof. Antonio Candido (Letras) e no de Filosofia e Ciências Sociais. Policiais Civis uniformizados e fortemente armados entraram em salas de aula para buscar um aluno acusado de crime potencialmente grave que choca a comunidade. O estudante foi levado para uma delegacia onde responde a acusações.

Esta Faculdade é inteiramente a favor do combate a crimes potencialmente graves que chocam a comunidade. Temos uma longa tradição de estudos e ações com vistas a combater quaisquer tipos de violência.

Sem entrar no mérito das acusações, que a Justiça irá julgar, resguardados os direitos também do acusado, de acordo com os preceitos do Estado democrático, chocou-nos a desproporcionalidade entre os fins e os meios do procedimento policial. Por que o aluno não foi preso na sua residência, como seria típico de um flagrante? Para que interromper aulas com armas à vista na Universidade? Para que mobilizar duas dezenas de policiais uniformizados e com uso de metralhadoras para prender o acusado nos prédios da USP?

A diretoria da Faculdade está acionando a procuradoria da Universidade com vistas a esclarecer o episódio. Não vamos aceitar calados que a imagem da FFLCH-USP e a autonomia desta instituição sejam violados por ações injustificáveis. O mais do que necessário combate à criminalidade não pode justificar a agressão às instituições universitárias.

São Paulo, 28 de março de 2019
Diretoria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

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