Estresse no trabalho: técnica pode ser aliada na promoção do bem-estar profissional

Estresse no trabalho: técnica pode ser aliada na promoção do bem-estar profissional

Thaís Oliveira*

27 de janeiro de 2021 | 03h00

Thaís Oliveira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ambientes de trabalho nem sempre são saudáveis. Às vezes, a alta competitividade entre colegas, a agenda muito apertada ou a falta de tato das lideranças podem provocar estresse e ansiedade nos profissionais. No último ano, com a pandemia do novo coronavírus, muitas empresas passaram por transições forçadas, mudaram seus esquemas de trabalho e jornadas diárias, fatores que também podem influenciar a saúde dos colaboradores.

Uma pesquisa realizada pela ISMA (International Stress Management Association), 30% dos brasileiros sofrem da Síndrome de Bournout, que se apresenta como um conjunto de sintomas provocados por excessos, principalmente no âmbito profissional.

Neste contexto, a Microfisioterapia surge como importante aliada na promoção do bem-estar do profissional. A técnica foi criada em meados dos anos 80 por dois Fisioterapeutas franceses, Daniel Grojean e Patrice Benini. O termo vem do grego e significa “tratamento por pequenos movimentos”.

No Brasil, a técnica começou a ser difundida em 2003, trazida pelo fisioterapeuta Afonso Salgado, aplicada exclusivamente por fisioterapeutas.

A Microfisioterapia trata-se de uma terapia manual que identifica e trata a causa primária de uma doença ou sintoma e estimula a autocura do organismo através da reprogramação tecidual.

Mas como a técnica pode ajudar no seu dia-dia?

O que acontece é que toda a informação recebida pelo corpo gera respostas que em sua maioria são automáticas, essas reações são os mecanismos arcaicos de defesa assim como reflexos e sistema imunológico, porém, quando a agressão (informação recebida pelo organismo) é maior que a capacidade de defesa, ocorre uma memorização tecidual, o que leva a um desequilíbrio do organismo e aparecimento de sintomas.

Hoje em dia já sabemos, através de estudos recentes, que o corpo guarda suas memórias não somente no cérebro e sim no corpo todo, armazenando todas as informações nas células. Isso gera “bloqueios” que podem ser sentidos através da palpação sutil, esse toque leva a informação diretamente para o cérebro.

Pensemos da seguinte forma: nossa pele é como se fosse o teclado de um computador no qual nós podemos dar os comandos e reprogramar nossas células. É mais ou menos isso que acontece durante uma sessão de microfisioterapia.

A rotina pesada de trabalho aliada às questões emocionais envolvidas faze com que nosso corpo entre em processo de desequilíbrio, levando ao aparecimento de sintomas, tais como dificuldades para dormir, desconfortos intestinais, ansiedade, alergias, dentre outros. Nestes casos, a Microfisioterapia tem se mostrado muito eficiente.

É muito importante também destacar a importância de uma boa e detalhada avaliação, pois através dela vamos identificar se de fato o sintoma apresentado tem origem emocional ou se além da Microfisioterapia é necessário também orientar ajustes no estilo de vida do paciente, em alguns casos até encaminhar para outro profissional, como o nutricionista por exemplo. A abordagem multidisciplinar é sempre importante.

Mas vale lembrar também que a pessoa não necessariamente precisa estar com algum sintoma para buscar a Microfisioterapia, pois ela traz benefícios para o corpo todo estimulando o sistema imunológico e ajudando inclusive a eliminar toxinas que podem estar impregnadas no organismo.

A sessão dura em torno de 1 hora a 1 hora e meia e é necessário respeitar um intervalo de 60 dias para que o corpo reconheça os e responda aos estímulos. Geralmente o tratamento não é longo, são necessárias no mínimo 3 sessões, mas dependendo do caso o tratamento pode ter um acompanhamento maior, incluindo também outras abordagens dentro da própria fisioterapia.

É comum o paciente relatar logo após a sessão um certo cansaço, mas que em pouco tempo é substituído por uma enorme sensação de leveza, energia e disposição, com melhora na qualidade do sono e intestinos e no caso de sintomas crônicos, apresenta também ótimos resultados.

Enfim, nos tempos de hoje, em que muitas pessoas acabam recorrendo a medicamentos que trazem alívios imediatos e tratam apenas os sintomas, é importante saber que já existem recursos disponíveis que levam em direção ao equilíbrio do organismo, indo direto na causa e solucionando os sintomas, muitas vezes, em definitivo.

*Thaís Oliveira, fisioterapeuta

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.