‘Estímulo grave ao ódio e à tortura’, dizem defensores públicos federais sobre 31 de março de Bolsonaro

‘Estímulo grave ao ódio e à tortura’, dizem defensores públicos federais sobre 31 de março de Bolsonaro

Para a Associação dos Defensores Públicos Federais (Anadef), comemorar a data 'é ignorar a dor de dezenas de brasileiros, é retroceder aos direitos conquistados sob a morte daqueles que lutaram por um País livre, entre eles índios, sindicalistas e líderes rurais e religiosos, desaparecidos e assassinados durante o triste período da ditadura militar'

Luiz Vassallo

26 de março de 2019 | 20h37

Jair Bolsonaro. Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino

A Associação dos Defensores Públicos Federais (Anadef) manifestou, nesta terça-feira, 26, ‘repúdio à medida anunciada pelo porta-voz do Palácio do Planalto, que confirmou a recomendação do presidente Jair Bolsonaro para atos em comemoração ao Golpe Militar, no próximo dia 31 de março’. Eles se unem à Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, que também se manifestou contra a medida do governo.

“Para os defensores públicos federais, que atuam na garantia dos direitos humanos, a decisão do Governo é um estimulo grave ao ódio e à tortura. Celebrar a data é ignorar a dor de dezenas de brasileiros, é retroceder aos direitos conquistados sob a morte daqueles que lutaram por um País livre, entre eles índios, sindicalistas e líderes rurais e religiosos, desaparecidos e assassinados durante o triste período da ditadura militar”, afirma a entidade.

A Anadef afirma ter ‘apreço e respeito às Forças Armadas que têm como seu papel institucional garantir e preservar os poderes constitucionais’. “No entanto, sob a pretensão de exaltar o Exército Brasileiro, a comemoração do golpe de 64 celebra um momento em que o papel das Forças Armadas foi deturpado e corrompido. O golpe de 64 representou uma violação profunda do Estado Democrático de Direito, inaugurando um período em que a tortura, a violência e a perseguição política foram institucionalizados no Brasil”.

“Em nome daqueles que sofreram e ainda sofrem a dor dos dias marcados pela ditadura militar, rechaçamos qualquer manifestação no sentido de reconhecer a data além do que ela estritamente representa: um dos períodos de maior sofrimento na história do País”, conclui a entidade.

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