‘Estes vereadores estão de braços cruzados’

‘Estes vereadores estão de braços cruzados’

Outdoor com as fotos de 25 vereadores de Campinas (SP) que não votaram pela abertura de CPI sobre contratos da Saúde foi instalado, e depois retirado, por uma empresa; prefeito é alvo da Operação Ouro Verde, que investiga desvios na pasta

Luiz Vassallo

05 Junho 2018 | 09h20

Foto da Rede Minha Campinas

“Estes vereadores estão de braços cruzados”, dizia o outdoor na rodovia Heitor Penteado, estampado com as fotos de 25 parlamentares de Campinas (SP) que não apoiaram a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre contratos da Saúde do município.

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Campinas é palco da Operação Ouro Verde, que mira desvios na gestão do hospital municipal de mesmo nome. O prefeito, Jonas Donizete (PSB), é investigado. A PF chegou a apreender R$ 1,2 milhão na casa de um servidor público.

Segundo o Tribunal de Contas do Estado, a Vitale, entidade que chegou a administrar o hospital, recebeu R$ 14 milhões de verbas do Estado de São Paulo. A Prefeitura de Campinas gastou R$ 1,1 bilhão com Organizações Sociais na área de Saúde nos últimos 5 anos.

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A proposta pela abertura da CPI foi apresentada por vereadores da oposição: Pedro Tourinho (PT). Tenente Santini (PSD) e Nelson Hoffri (PODEMOS). Eles conseguiram apenas 8 das 11 assinaturas necessárias para instaurar o colegiado.

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Com a notícia, a ONG Minha Campinas contratou uma empresa para instalar o outdoor, como forma de protesto.

Na placa, que ficava no meio da estrada, no sentido Sousa, uma chamada pública: ‘Nossos representantes têm que agir diante do desvio de milhões e do caos da saúde!’.

O cartaz traz as fotos dos 25 vereadores que não assinaram a CPI e a afirmação…”ficaram de braços cruzados’. São eles: Ailton da Farmácia (PSD), Antonio Flôres (PSB), Aurélio Cláudio (PMB), Campos Filho (DEM), Carmo Luiz (PSC), Edison Ribeiro (PSL), Pastor Elias Azevedo (PSB), Fernando Mendes (PRB), Filipe Marchesi (PR), Gilberto Vermelho (PSDB), Jorge da Farmácia (PSDB), Jorge Schneider (PTB), Jota Silva (PSB), Luiz Cirilo (PSDB), Luiz Rossini (PV), Marcos Bernardelli (PSDB), Paulo Haddad (PPS), Paulo Galterio (PSB), Permínio Monteiro (PV), Professor Alberto (PR), Rafa Zimbaldi (PP), Rodrigo da Farmadic (PP), Rubens Gás (PSC), Vinicius Gratti (PSB), Zé Carlos (PSB).

O outdoor acabou sendo apagado. A ONG explica o motivo: “O contrato previa a veiculação do outdoor por duas semanas na Rod. Heitor Penteado, sentido Sousa. Porém, fomos avisados pela empresa, em menos de 24h após a instalação do outdoor, que o mesmo iria ser retirado do local por se tratar de conteúdo político”.

“Isso nos faz acreditar que houve pressão, mais uma vez na nossa atuação. Primeiro com a retirada dos cartazes colados em frente a Câmara Municipal e agora, com retirada de um outdoor devidamente contratado”, diz a ONG.

A reportagem entrou em contato com todos os vereadores citados no outdoor por meio de suas assessorias de imprensa e de seus contatos de gabinete. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A CÂMARA MUNICIPAL DE CAMPINAS

A Câmara Municipal de Campinas respeita o direito de manifestação de qualquer cidadão, e, da mesma maneira, respeita e acredita que deve ser respeitado o direito democrático de cada vereador legitimamente eleito pela população para se posicionar a favor ou contra qualquer tema discutido no Legislativo. E à Presidência da Casa, por sua vez, cabe acatar sempre a decisão soberana tomada pelo plenário.

COM A PALAVRA, ROSSINI

O vereador Rossini tem se manifestado publicamente que confia no poder de investigação do Ministério Público a quem cabe a apuração da denuncia. Já foi criada uma comissão na Câmara de Campinas para acompanhar as investigações do MP.

COM A PALAVRA, ELIAS AZAVEDO

Antes de qualquer posicionamento do nosso mandato à respeito de uma CPI na área da Saúde, mais precisamente sobre o Hospital Ouro Verde/Organização de Saúde Vitale, gostaria de registrar alguns apontamentos.

O nosso mandato já vem acompanhando com todos os mecanismos disponíveis para exercer a atividade legislativa a situação do Hospital Ouro Verde, mecanismos estes, que não se comparam com os do Ministério Público, tais como escutas telefônicas, apreensões de documentos e computadores, bem como condução coercitiva para depoimentos.

Esclareço ainda, que a CPI é um instrumento do Poder Legislativo que serve para iniciar a instauração de uma investigação por parte do Ministério Público com a conclusão e envio de seu relatório final, ou seja, o Ministério Público já está avançado nas investigações e no atual momento temos que ter responsabilidade para analisar o caso com prudência e nos termos legais, e pensando sempre no melhor para Campinas.

Nesse sentido continuarei com afinco na busca de informações sobre este caso com o real intuito de punir os verdadeiros culpados e não a dar palanque para membros da oposição que são adeptos da velha política do “quanto pior, melhor”, agradecendo desde já a confiança em nosso trabalho parlamentar.