‘Este não vai ser o País do ódio’, diz Patrus após ser xingado em restaurante

‘Este não vai ser o País do ódio’, diz Patrus após ser xingado em restaurante

Ministro do Desenvolvimento Agrário foi alvo de críticas em um restaurante de Belo Horizonte divulgadas em vídeo na internet e publicou nota em resposta

Mateus Coutinho

09 Novembro 2015 | 14h00

patrusestadao

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias. Foto: Estadão

Alvo de xingamentos em um restaurante de Belo Horizonte neste domingo, 8, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias (PT) divulgou nota em seu perfil no Facebook relatando o episódio e afirmando que “este não vai ser o País do ódio”.

As hostilidades a Patrus foram divulgadas em vídeos na internet, e o ministro se manifestou depois nas redes sociais.

Quando saia do restaurante ele foi alvo de gritos como “Fora PT” e várias críticas ao partido. Em seu texto, ele relata como teria reagido às abordagens. “Pagamos a conta e levantamos para sair quando um homem em uma mesa próxima à porta começou a gritar, fazendo acusações de corrupção e levantando um daqueles cartazes – ‘Fora PT, Fora Dilma’. Me aproximei e pedi 30 segundos para conversarmos. Ele retrucou que iria me ‘conceder 10 segundos'”, conta o ministro.

“Respondi que colocasse num papel e assinasse todas as acusações sem provas em relação a mim, que amanhã mesmo eu entraria com uma ação contra ele. Então a conversa mudou, com ele dizendo que ‘eram acusações em relação ao PT’. Uma câmera já estava posicionada desde o início, esperando para flagrar o momento ‘espontâneo’.” segue o relato de Patrus que diz ainda que outras mesas do bar começaram a aumentar o coro contra ele e seus amigos, mas que eles “não arredaram” o pé.

“Respondemos às acusações sem fundamento, exigimos respeito, mantivemos a firmeza. O acusador da primeira mesa rapidamente foi embora em silêncio, enquanto nós permanecemos ali.”

“Tivemos uma conversa altiva e buscamos negociação e diálogo, com convém a uma sociedade democrática. Fizemos isso porque ninguém vai nos tirar das ruas e dos bares de BH.Nenhuma reação de uma manifestação organizada, travestida de espontânea, vai nos intimidar e limitar nosso direito de sentar com os amigos e a família em um bar numa tarde de domingo em qualquer cidade. Porque este não vai ser o país do ódio generalizado, mesmo que esse seja o sonho de tantos que não conseguiram vencer democraticamente.” segue o relato do ministro.

Ex-prefeito de Belo Horizonte e um dos idealizadores do Bolsa Família, ministro do Governo Lula (Desenvolvimento Social) e agora de Dilma, Patrus é um dos fundadores do PT.

Não é a primeira vez que políticos do PT são agredidos verbalmente em locais públicos. Recentemente, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo também foram alvo de criticas em restaurantes e bares.

VEJA A ÍNTEGRA DA NOTA DE PATRUS:

“Este não vai ser o país do ódio. Ninguém vai nos tirar das ruas de Belo Horizonte.

Estive há pouco na Cervejaria Bar Brasil, um bar tradicional de BH, com minha esposa Vera, Carlão Pereira e sua esposa Jussara. Estávamos ali conversando entre amigos, sendo tratados com toda a gentileza pelos garçons. Pagamos a conta e levantamos para sair quando um homem em uma mesa próxima à porta começou a gritar, fazendo acusações de corrupção e levantando um daqueles cartazes – “Fora PT, Fora Dilma”…

Me aproximei e pedi 30 segundos para conversarmos. Ele retrucou que iria me “conceder 10 segundos”. Respondi que colocasse num papel e assinasse todas as acusações sem provas em relação a mim, que amanhã mesmo eu entraria com uma ação contra ele. Então a conversa mudou, com ele dizendo que “eram acusações em relação ao PT”. Uma câmera já estava posicionada desde o início, esperando para flagrar o momento “espontâneo”.

Algumas mesas ao redor, articuladas a essa primeira, começaram a ampliar o barulho, tentando nos intimidar. Não arredamos pé. Respondemos às acusações sem fundamento, exigimos respeito, mantivemos a firmeza. O acusador da primeira mesa rapidamente foi embora em silêncio, enquanto nós permanecemos ali.

Tivemos uma conversa altiva e buscamos negociação e diálogo, com convém a uma sociedade democrática. Fizemos isso porque ninguém vai nos tirar das ruas e dos bares de BH. Nenhuma reação de uma manifestação organizada, travestida de espontânea, vai nos intimidar e limitar nosso direito de sentar com os amigos e a família em um bar numa tarde de domingo em qualquer cidade.

Porque este não vai ser o país do ódio generalizado, mesmo que esse seja o sonho de tantos que não conseguiram vencer democraticamente.

Este não vai ser o país onde se toma o poder pela força, usando mentiras e calúnias sem fundamento.

Este não vai ser o país onde quem grita mais alto tem razão. Este vai continuar sendo o país da democracia, de quem sabe ouvir, compreender e debater.”

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