‘Estão vendo fantasmas onde não existe sequer lençol’, afirma defesa de Antonio Palocci

‘Estão vendo fantasmas onde não existe sequer lençol’, afirma defesa de Antonio Palocci

Criminalista José Roberto Batochio ataca diagrama com relações societárias de ex-ministro e classifica como "coisa odiosa" e "invasão detestável da vida privada" apuração

Redação

19 Novembro 2015 | 12h05

Foto: Divulgação

José Roberto Batochio. Foto: Divulgação

O criminalista José Roberto Batochio, constituído por Antonio Palocci Filho, reagiu enfaticamente, e com ironias, à linha de investigação da Polícia Federal que aponta para os laços comerciais do ex-ministro (Governos Lula e Dilma) e de familiares dele. “Estão vendo fantasmas onde não existe sequer lençol”, disse Batochio.

O ex-ministro Antonio Palocci, investigado pela Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

O ex-ministro Antonio Palocci, investigado pela Lava Jato. Foto: André Dusek/Estadão

“Em primeiro lugar, peço que coloquem a questão no parâmetro da verdade. Sem encontrar nenhuma prova concreta contra Palocci eles (investigadores) pediram à Inteligência da Polícia Federal e ao COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) que mandassem todos os dados, literalmente todos, que pudessem ser levantados a respeito da vida do ex-ministro e de sua família, desde o jardim da infância e o curso primário.”

O veterano advogado reafirmou o que vem declarando desde que o Supremo Tribunal Federal autorizou abertura de investigação sobre Palocci no âmbito da Justiça Federal no Paraná, base da Operação Lava Jato. “Estão à disposição da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça todas as informações sobre Palocci, desde sua tenra infância, passando pelo ginasial, pelo colegial e pela Faculdade de Medicina, depois pela sua vereança, seu mandato na prefeitura de Ribeirão Preto e por aí adiante. Enfim, quaisquer dados, desde os 7 anos de idade do ministro até agora, estão à disposição das autoridades para serem devidamente esquadrinhados e pesquisados. No primeiro ano do grupo escolar roubaram um lápis e uma borracha de Palocci. Isso foi objeto de investigação que poderá ser detalhado. Aí ele (Palocci) foi vítima.”

Batochio anotou que o ex-ministro, de fato, integrou a Associação dos Municípios da Macro Região de Ribeirão Preto ‘como acontece com todos os prefeitos do Brasil’.

[veja_tambem]

O advogado criticou o que chamou de ‘fatídica aranha’ – diagrama montado pela Polícia Federal com dados societários do ex-ministro e de familiares dele. “Ninguém nasce por geração espontânea, todo indívíduo tem um pai, uma mãe, e tem também irmãos e familiares. Claro que ele (Palocci) é responsável pelos atos que pratica, mas não exerce nenhum controle sobre as biografias, vidas e evolução vital de seus parentes. Normalmente, é difícil de se explicar porque os parentes resolveram exercer suas profissões, um virou engenheiro, outro economista, outro médico, e por que resolveram ser sócios de uma empresa ou de outra empresa. Por esta razão, tendo em vsita ausância da tese do domínio dos fatos em relação à vida dos outros, pouco (Palocci) pode explicar porque razão cada familiar seu resolveu se encaminhar para um ramo de negócio ou de atividade. Não há que se falar em domínio dos fatos. Seria, no caso, domínio do destinodas outras pessoas, coisa que, fora Deus, não acredito que alguém tenha.”

Batochio reiterou. “O destino, o rumo e as opções profissionais dos seus familiares e dos ex-sócios dos seus descendentes não há como explicar porque cada um realmente, a partir do princípio filosófico do livre arbítrio, cada um faz a sua escolha.”

O advogado é taxativo ao protestar contra a investigação. “É uma coisa odiosa, uma invasão detestável da vida privada dos familiares de alguém que exerceu uma função pública.”

O criminalista faz uma sugestão. “No Brasil, quem tiver juízo, não vai mais exercer função pública sob pena de correr o risco de ver seus familiares expostos de maneira cruel, sob suspeita.”

“Antonio Palocci Filho não tem nenhuma condição de informar sobre quais foram os motivos que determinaram os caminhos e as escolhas profissionais das pessoas com quem conviveu e com quem formou sociedade um dia. Ele (Palocci) não tem o domínio e nenhum mando sobre as escolhas das pessoas com quem se relacionou. O Brasil precisa deixar de uma vez por todas de ser um país suspicaz, onde se especule sobre o talvez, sobre o quem sabe.”

Batochio assinala, ainda, que a Polícia Federal ainda não tomou o depoimento de um ex-assessor de Palocci, Charles Capella de Abreu, citado na delação do lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, como envolvido em recebimento de R$ 2 milhões para a campanha de Dilma Rousseff em 2010.

Charles atuou no comitê da campanha de Dilma, sob coordenação-geral de Palocci. Os R$ 2 milhões teriam sido entregues a Charles em um hotel em São Paulo pelo doleiro Alberto Youssef, peça central da Operação Lava Jato.

“Intimado pela Polícia Federal em Curitiba (base da missão Lava Jato), Charles compareceu no dia e hora marcados, na semana passada, mas não foi ouvido. Charles divulgou publicamente que nunca esteve no hotel com Alberto Youssef, nunca se encontrou (com o doleiro), jamais pegou esse dinheiro. É curioso, mas a audiência de inquirição dele (Charles) foi imediatamente suspensa quando ele divulgou tais esclarecimentos.”

Mais conteúdo sobre:

Antonio Paloccioperação Lava Jato