‘Estamos bastante perto da real decisão de corrupção no País’, diz procurador

‘Estamos bastante perto da real decisão de corrupção no País’, diz procurador

Carlos Fernando Lima, da força-tarefa da Lava Jato, diz que fatiamento das apurações, decretada pelo STF, não impede chegada a núcleo efetivo do esquema generalizado

Julia Affonso e Fausto Macedo

17 Novembro 2015 | 05h00

Procurador Carlos Lima. Foto: Gisele Pimenta/Frame

Procurador Carlos Lima. Foto: Gisele Pimenta/Frame

A Operação Corrosão, deflagrada nesta segunda-feira, 16, contra o esquema de corrupção na compra da Refinaria de Pasadena, é o primeiro resultado prático pós decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu destituir da Justiça Federal, em Curitiba, demais investigações que seriam conexas ao esquema alvo da Operação Lava Jato.

“Creio que nós temos bastante indicativo que, até mesmo pela prisão do Dirceu (José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil/Governo Lula), que já estamos bastante perto da real decisão de corrupção no país”, afirmou o procurador regional da República Carlos Fernando Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato.

“Nós entendemos que podemos aprofundar tanto a Petrobrás que os reais responsáveis pela corrupção geral serão revelados mesmo que a Petrobras se limite ao nosso campo de atuação.”

O Supremo Tribunal Federal já tirou das mãos do juiz federal Sérgio Moro duas etapas cruciais da Lava Jato.

A primeira foi a investigação sobre a empresa Consist, supostamente envolvida em pagamentos ilícitos no âmbito de empréstimos consignados – episódio em que é citada a senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR).

A outra é relativa a propinas nas obras de Angra3, que levou para a prisão, em julho, o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear.

Para o procurador Carlos Lima, as decisões do STF de retirar de Curitiba apurações que envolviam a atuação do cartel que fatiava obras na Petrobrás na Eletronuclear, nas obras da Usina Nuclear de Angra 3, e de contratos no Ministério do Planejamento, impuseram mudança de rota nas investigações.

Os procuradores têm elementos suficientes, porém, para apontar a existência de um mesmo esquema de compra de apoio políticos por uma sistematização de corrupção.

“Vamos aprofundar as investigações verticalmente até atingir o núcleo efetivo de toda a corrupção na Petrobras e, tenho certeza, é o mesmo dos outros órgãos públicos”, disse o procurador.

Nessa nova fase da Operação Lava Jato, os investigadores assumiram as investigações que eram tocadas no Rio e começam a produzir os primeiros resultados ostensivos. Os documentos arrecadados nesta segunda-feira, devem desnudar o mais ruidoso episódio dos escândalos de corrupção na Petrobrás, a compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA).

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