‘Estamos atentos’, diz presidente da OAB sobre convocação de Catta Preta

Marcus Vinícius Coêlho pede responsabilização, se comprovadas ameaças à criminalista que defendeu delatores da Lava Jato

Redação

01 de agosto de 2015 | 09h30

Marcus Vinicius Coêlho. Foto: Divulgação

Marcus Vinicius Coêlho. Foto: Divulgação

Por Julia Affonso e Fausto Macedo

O presidente da OAB Marcus Vinícius Furtado Coêlho declarou que os advogados ‘estão atentos’ ao episódio das ameaças à criminalista Beatriz Catta Preta. Nesta quinta-feira, 30, a advogada declarou à reportagem de O Estado que decidiu abandonar a carreira, alegando intimidações que vem sofrendo da CPI da Petrobrás.

“É lamentável que uma colega de profissão deixe suas atividades sob essa alegação, sob esse tipo de situação”, declarou Marcus Vinícius.”Estamos atentos e, em se comprovando as ameaças, em se identificando causadores de tal situação, deve haver responsabilização. A lei deve valer para todos.”

A advogada Beatriz Catta Preta define a delação premiada como um meio de defesa

A advogada Beatriz Catta Preta. Foto: Paulo Liebert

Defensora dos principais delatores da Operação Lava Jato, Catta Preta renunciou à causa no dia 20 de julho. Ela defendia os mais importantes delatores da Lava Jato, Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobrás (Abastecimento). Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da estatal, Augusto Mendonça, empresário, e Julio Camargo, lobista.

Foi este último, Julio Camargo, que incendiou a Câmara dos Deputados na semana passada. Ele declarou à Justiça Federal no Paraná, base da Lava Jato, que foi pressionado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), atual presidente da Casa, por uma suposta propina de US$ 5 milhões, em 2011.

A Comissão Parlamentar de Inquérito da Petrobrás convocou Catta Preta para depor sobre seus clientes e honorários recebidos, informações que a advocacia preserva a todo custo.Advogados de todo o País imediatamente saíram em defesa das prerrogativas da classe.

A OAB assumiu a reação por Catta Preta e foi ao Supremo Tribunal Federal com habeas corpus preventivo, afinal, concedido liminarmente por Ricardo Lewandowski, presidente da Corte máxima da Justiça. O ministro desobrigou Catta Preta de revelar detalhes sobre seus clientes e ganhos.

Sobre a convocação pela CPI, o presidente da Ordem disse. “A grande preocupação da OAB diz respeito às prerrogativas dos advogados. O sigilo entre advogado e o cliente é uma garantia do próprio cidadão, para ter respeitado o seu direito de defesa. Devido a isso fomos ao STF e conseguimos uma decisão favorável, impedindo qualquer tipo de admoestação da advogada pela CPI no caso de informações cobertas pelo sigilo profissional.”

Marcus Vinícius Coêlho é taxativo. “Em relação à convocação, de um advogado ou de qualquer cidadão brasileiro, é algo que diz respeito a uma competência própria do Parlamento.”

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