Esquema Saneago pagou dívida de campanha do tucano Perillo, aponta Decantação

Esquema Saneago pagou dívida de campanha do tucano Perillo, aponta Decantação

Presidente do PSDB em Goiás, Afrêni Gonçalves, preso nesta quarta-feira, 24, teria negociado R$ 1 milhão para a legenda com empresa que tem contratos com a companhia de Saneamento do Estado

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

24 de agosto de 2016 | 14h11

Marconi Perillo. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Marconi Perillo. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A Operação Decantação investiga se a campanha de Marconi Perillo (PSDB), em 2014, ao governo de Goiás recebeu recursos do esquema Saneago.

A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Ministério da Transparência (ex-CGU) apuram desvios de R$ 4,5 milhões em recursos federais a partir da empresa Saneamento de Goiás S/A – Saneago.

O presidente estadual do PSDB, Afrêni Gonçalves, e o presidente da Saneago, José Taveira Rocha – ex-secretário estadual da Fazenda de Goiás -, foram presos nesta quarta-feira, 24.

Segundo o procurador da República Mário Lúcio Avelar, há indícios de que recursos públicos foram transferidos para o diretório do PSDB, para pagar dívida da campanha eleitoral e parte era distribuída entre agentes públicos e empreiteiras.

Entre R$ 400 mil e R$ 500 mil supostamente repassados à campanha de Perillo teriam sido destinados a uma empresa de publicidade.

A Decantação aponta que Afrêni teria negociado R$ 1 milhão em doação para o PSDB Goiás com a JC Gontijo – investigada no Mensalão do DEM. A JC Gontijo tem contratos com a Saneago.

“É o mesmo sistema, guardadas as proporções, da Lava Jato”, atesta o procurador.

A Saneago é uma sociedade de economia mista que atende 225 municípios goianos. A Odebrecht Ambiental possui um contrato com a estatal para investimentos e operação do sistema de esgoto em quatro municípios – Aparecida de Goiânia, Jataí, Trindade e Rio Verde.

Segundo o procurador, a Decantação mira em dois contratos de R$ 1 bilhão. “Esse contrato de transferência são obras que começaram em 2007 e até hoje não estão concluídas.”

Mário Lúcio Avelar afirma que a investigação começou em meados de 2015 com uma denúncia de fraude em licitação para aquisição de três bombas para água em Corumbá.

De acordo com o procurador, a empresa que venceu a licitação cobrou R$ 19 milhões no contrato.

“A concorrente fornecia as bombas conforme especificação do edital por R$ 9 milhões, metade do preço”, explica. “Chamou a atenção. Passamos a observar que não era uma ação isolada. Era uma ação concertada das diversas diretorias e presidência da estatal.”

COM A PALAVRA, O GOVERNO MARCONI PERILLO

A reportagem tentou contato com o Governo de Goiás, mas ninguém atendeu nos telefones fixos que constam na página do Executivo na internet. O espaço está aberto para manifestação do governo Marconi Perillo.

Mais cedo, em nota, o Governo de Goiás afirmou acreditar na idoneidade dos dirigentes da Saneago.

“O Governo de Goiás apoia as investigações em curso na Polícia Federal e no Ministério Público Federal e está inteiramente à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos.

Os procedimentos licitatórios realizados pelos órgãos, autarquias e empresas da administração estadual são pautados pela legalidade e pela transparência.

O Governo de Goiás acredita na idoneidade dos diretores e superintendentes da Saneago (Saneamento de Goiás S.A.) e tem a plena certeza de que os fatos apresentados serão plenamente esclarecidos”.

*Gabinete de Imprensa da Governadoria”

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