Esquema de Paulo Bernardo agiu até em velório, diz Custo Brasil

Esquema de Paulo Bernardo agiu até em velório, diz Custo Brasil

Denúncia do Ministério Público Federal destaca que organização aliciou integrante durante funeral de braço direito de ex-ministro do Planejamento

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

02 Agosto 2016 | 05h15

Agentes da PF durante a Operação Custo Brasil, em São Paulo. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

Agentes da PF durante a Operação Custo Brasil, em São Paulo. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

A denúncia da Operação Custo Brasil aponta que, em janeiro de 2012, o Esquema Consist cooptou o então secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Valter Correia, em plena cerimônia de velório de um ex-assessor de alto escalão da gestão Paulo Bernardo. Na ocasião, era velado Duvanier Paiva, secretário de Recursos Humanos que assinou um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Pasta e duas entidades para a contratação da Consist em 2010.

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O sistema de pagamento de propina investigado na Custo Brasil envolveu a celebração do Acordo. O esquema de propina funcionou até 2015 e custou cerca de 70% do faturamento líquido da empresa Consist, que criou software para a gestão dos empréstimos consignados de milhares de servidores do Poder Executivo Federal.

“Com a saída de Paulo Bernardo e, especialmente, com a morte de Duvanier Paiva (em 19 de janeiro de 2012), mostra-se necessário obter auxílio de novas pessoas para a manutenção do esquema, em especial para que o ACT fosse mantido”, aponta a denúncia.

“Valter Correia – secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão é cooptado pelo esquema. No próprio velório de Duvanier Paiva, o assunto é tratado pela primeira vez com Valter Correia, com a participação inclusive de Pablo Kipersmit (presidente da Consist no Brasil).”

Segundo a investigação. Pablo Kipersmit cuidava do contato direto com os “parceiros” da Consist e mantinha informado o presidente mundial da empresa. Os parceiros da Consist eram diversos lobistas e intermediários, que possuíam ‘vínculos importantes’ com funcionários do Planejamento.

Na denúncia, a força-tarefa da Custo Brasil sustenta que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto após a morte de Duvanier Paiva, questiona se Valter Correia poderia auxiliar na manutenção do esquema e as renovações do Acordo de Cooperação Técnica.

“Com a aceitação de Valter Correia, este indica a João Vaccari uma empresa o recebimento dos valores ilícitos: a empresa LARC – depois chamada JD2, de Dércio Guedes”, aponta a acusação.

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou o ex-ministro Paulo Bernardo, João Vaccari Neto, Pablo Kipersmit e mais 17 pessoas. O grupo é acusado de montar uma organização criminosa no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) entre os anos de 2009 e 2015, responsável por lavagem de dinheiro e o pagamento de propinas para o Partido dos Trabalhadores e diversos agentes públicos e privados, que superam os R$ 100 milhões. Valter Correia não foi denunciado pela Custo Brasil.

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COM A PALAVRA, A ADVOGADA VERÔNICA A. STERMAN, QUE REPRESENTA O EX-MINISTRO PAULO BERNARDO:

“O ex-ministro Paulo Bernardo reitera que não participou ou teve qualquer ingerência na celebração ou manutenção do acordo de cooperação técnica celebrado autonomamente entre a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e as associações de Bancos e Previdência (ABBC e SINAPP). Também reitera que não se beneficiou de qualquer quantia da Consist, quer direta ou indiretamente. Por fim, espera e acredita que a Justiça reconhecerá a improcedência das acusações.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, QUE DEFENDE JOÃO VACCARI NETO
“Sobre a denúncia do Ministério Público Federal, a defesa reitera que ela é mais uma baseada exclusivamente em informações trazidas por delator sem que haja provas a confirmá-la. Até porque essas informações não correspondem à verdade.”

COM A PALAVRA, O PT:

Por meio de sua Assessoria de Imprensa, o PT declarou. “O Partido dos Trabalhadores refuta as acusações de ilegalidade. As contas da campanha de 2010 foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.”

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