Esquema de Cabral envolvia também concessionárias de carros, diz PF

Esquema de Cabral envolvia também concessionárias de carros, diz PF

Nova etapa da Calicute identifica que revendedoras de veículos teriam sido utilizadas para lavar ao menos R$ 10 milhões em propinas destinadas ao grupo do peemedebista

Mateus Coutinho, Fabio Serapião e Fausto Macedo

02 de fevereiro de 2017 | 11h20

Sérgio Cabral chega ao IML em Curitiba, em 10 de dezembro. Foto: Rodrigo Felix/Gazeta do Povo

Sérgio Cabral chega ao IML em Curitiba, em 10 de dezembro. Foto: Rodrigo Felix/Gazeta do Povo

A Operação Mascate, nova fase da Calicute, que levou à prisão o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), revelou que o esquema do peemedebista também envolveria concessionárias de veículos no Estado. Segundo a Polícia Federal, o operador Ary Ferreira da Costa Filho, conhecido como ‘Arizinho’ e alvo de um mandado de prisão preventiva, utilizava concessionárias de sua família para lavar dinheiro de propina.

Ary é servidor da Secretaria de Estado da Fazenda do Rio, era cedido à Secretaria da Casa Civil e foi exonerado em 6 de dezembro de 2016. Na manhã desta quinta-feira, 2, a Polícia Federal foi à residência dele, na Barra, mas não o localizaram. Ele foi detido pela Polícia Rodoviária Federal à tarde na Rodovia Dutra, na região de Nova Iguaçu.

As investigações apontam que teriam sido lavados ao menos R$ 10 milhões por meio de diversos contratos de fachada e compras de imóveis ao longo de oito anos. Desta quantia, R$ 8 milhões teriam sido destinados ao ex-governador, segundo investigadores.

Uma parte dos valores, inclusive, teria sido utilizado na compra de 7 imóveis registrados em nome de uma empresa imobiliária do próprio Ary.

Com isso, as investigações da Polícia Federal e da Procuradoria da República no Rio avançam sobre mais um pedaço do “oceano” patrimonial acumulado por Cabral ao longo de sua vida pública. Deflagrada há uma semana, a Operação Eficiência identificou que o peemedebista teria recebido ao menos US$ 78 milhões em contas mantidas pelos doleiros Renato e Marcelo Chaber no exterior.

Os dois decidiram colaborar com as investigações e revelaram como funcionava o estruturado esquema financeiro do peemedebista, que teria lavado ao menos US$ 100 milhões em propinas cobradas de grandes empreiteiros que mantinham contratos com a gestão Cabral durante seus dois mandatos como governador do Rio, de 2007 a 2014.

Ao menos nove acusados de atuarem como operadores financeiros do esquema de Cabral, entre doleiros e responsáveis por cobrar e transportar os pagamentos ilícitos, já foram presos pela PF no Rio desde que a Operação Calicute foi deflagrada em 17 de novembro de 2016.

Atualmente o governador, sua mulher e outros membros de seu grupo respondem a ações penais da Lava Jato em Curitiba, por terem supostamente se beneficiado de propinas em obras do Complexo Petroquímico da Petrobrás (Comperj) e também da Calicute no Rio, que identificou suspeitas de pagamentos ilícitos envolvendo outras obras da gestão Cabral, como a reforma do Maracanã.

 

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