Esquema bilionário foi descoberto após prisão de jordaniano com passaporte falso em Brasília

Esquema bilionário foi descoberto após prisão de jordaniano com passaporte falso em Brasília

Ismail Suleiman Hamdan El Halalat foi flagrado em agosto de 2016 após o desembarque no Aeroporto JK e ganhou liberdade provisória mediante pagamento de fiança de dez salários mínimos

Luiz Vassallo, Fabio Fabrini e Fábio Serapião

26 de abril de 2017 | 12h30

DECISÃO ISMAIL

A Operação Perfídia, que entrou em sua segunda fase nesta quarta-feira, 26, e revelou práticas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que chegam à marca de US$ 5 bilhões, teve como ponto de partida investigação sobre o jordaniano Ismail Suleiman Hamdan El Halalat, alvo de ação penal por tentar entrar no Brasil com passaporte falso.

Ismail foi preso em flagrante em agosto de 2016 por apresentar passaporte falso à Polícia Federal no procedimento migratório após o desembarque de vôo da empresa Air France no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, em Brasília.
Ele ganhou liberdade provisória naquele mesmo mês, mediante pagamento de fiança de dez salários mínimos. Ele também é obrigado a comparecer ao juízo sempre que solicitado enquanto responde pela ação por passaporte falso.

Os documentos utilizados por Ismail Suleiman foram providenciados por integrantes de um esquema bilionário de falsificações, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, segundo o Ministério Público Federal.

A partir das investigações que se originaram na prisão do jordaniano, foi deflagrada pela Justiça Federal do Distrito Federal a Operação Perfídia, que entra nesta quarta-feira na segunda fase e cumpre 100 mandados – entre os quais duas ordens de prisão, de Claudia Chater e Edvaldo Pinto.

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Claudia é prima do doleiro Carlos Chater, dono do Posto da Torre – situado em Brasília e berço do esquema desmontado pela Operação Lava Jato.

De acordo com o Ministério Público Federal, ‘as informações preliminares, reunidas a partir de elementos recolhidos na primeira fase da operação, ocorrida em dezembro do ano passado, indicam que os envolvidos movimentaram cifras bilionárias’.

Em uma única transação bancária, os valores superaram US$ 5 bilhões. “O esquema inclui o uso de empresas – aparentemente laranjas – como off-shore, loterias, hotéis e administradoras de imóveis, entre outras.”

O juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10.ª Vara Federal, determinou sigilo de 24 horas sobre os documentos da operação.

As duas prisões temporárias, os 55 mandados de busca e apreensão, as 43 conduções coercitivas e o recolhimento de telefones celulares de investigados são cumpridos em nove estados e no Distrito Federal.

COM A PALAVRA, ISMAIL SULEIMAN HAMDAM EL HALALAT

O advogado de Ismail Suleiman, Grimoaldo Roberto de Resende, esclareceu que ‘a ação penal ainda está em curso e não tem sentença’.

“Naturalmente, acredito em sua absolvição por estar convicto de que ele não agiu com dolo. Foi ouvido sem estar assistido por tradutor oficial e, por certo, não entendeu o alcance dos fatos e talvez não tenha sido entendido corretamente. Hoje, ele está na Jordânia e, acaso seja convocado, poderá comparecer”, afirma o advogado.

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