‘Espero que inquérito não atinja procuradores’, diz Barroso sobre investigações de ofensas contra ministros

‘Espero que inquérito não atinja procuradores’, diz Barroso sobre investigações de ofensas contra ministros

Ministro do Supremo enfatizou que ameaças contra ministros são inaceitáveis durante evento sobre a Operação Lava Jato no 'Estado'

Altamiro Silva Júnior, André Ítalo Rocha, Daniel Weterman e Mateus Fagundes

01 de abril de 2019 | 12h27

Debate sobre os desafios do combate à corrupção com o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio
Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. Foto: Felipe Rau / Estadão

SÃO PAULO – O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse esperar que o inquérito aberto pelo presidente da Corte, Dias Toffoli, para investigar notícias falsas contra o Supremo não atinja procuradores que criticaram o STF. “Eu, sinceramente, espero que não”, declarou, quando perguntado.

Barroso participa, nesta segunda-feira, 1, do evento “Estadão Discute Corrupção”, realizado na sede do jornal O Estado de S.Paulo em parceria com o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP) para discutir as operações Lava Jato e Mãos Limpas.

Ao falar do inquérito, Barroso enfatizou que ameaças contra ministros são inaceitáveis. “A crítica pode ser a mais severa possível, mas não uma crítica que chega à ameaça de morte, de agressão física e de familiares.”

Na sequência, o ministro do STF destacou que, em uma democracia, não deve existir dualidade pra investigar poderosos. Ele citou que foi nomeado pela ex-presidente Dilma Rousseff, mas que não é “devedor” à petista por isso. “Torço pelo bem pessoal dela, mas não faria nada que não fosse correto para atende-la em qualquer circunstância porque não me sinto devedor a uma pessoa.”