Espanha solta operador de propinas da Odebrecht

Espanha solta operador de propinas da Odebrecht

Rodrigo Tacla Duran, alvo da Operação Dragão da Lava Jato, estava preso em Madri desde 18 de novembro de 2016 e teve passaporte confiscado

Mateus Coutinho

14 de fevereiro de 2017 | 04h40

Rodrigo Tacla Duran

A Justiça espanhola concedeu liberdade provisória ao advogado Rodrigo Tacla Duran, apontado como operador de propinas da Odebrecht no exterior e que foi detido no dia 18 de novembro de 2016 em Madri, após ter sua prisão decretada na Operação Dragão, 36ª fase da Lava Jato. A justiça do país europeu, contudo, determinou o sequestro do passaporte de Duran e o proibiu de deixar a Espanha.

Ele também deverá comparecer ao juiz todas as segundas-feiras pela manhã, antes das 11 horas. A decisão do juiz Santiago Gómez é do dia 3 de fevereiro e foi encaminhada ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba na sexta-feira, 10.

A força-tarefa da Lava Jato pediu a extradição de Duran, que foi deferida pelo governo espanhol e depende agora do processo judicial em trâmite na Espanha.

Tacla Duran não é o único apontado como operador da empreiteira que foi localizado no exterior. Em fevereiro de 2016, o executivo Fernando Miggliacio foi detido na Suíça tentando encerrar contas bancárias no país europeu. Também acusado de atuar operando contas da Odebrecht para o pagamento de propinas no exterior, Miggliacio é alvo de uma investigação na Suíça e também teve sua prisão decretada na Lava Jato, durante a 23ª fase da operação chamada Acarajé.

O lobista Bernard Freiburghaus, outro acusado de operar contas para movimentar propina da empreiteira no exterior, responde a uma ação penal da Lava Jato aqui no Brasil, mas mesmo sendo alvo de um mandado de prisão da Lava Jato ele segue na Suíça, pois tem nacionalidade daquele país.

‘Dragão’. Tacla Duran foi alvo de um mandado de prisão preventiva na 36ª fase da Lava Jato, a Operação Dragão, deflagrada em 10 de novembro de 2016 e cujo nome remete ao apelido de Tacla Duran nas planilhas do departamento de propinas. Como não estava no Brasil, ele foi considerado foragido e teve seu nome incluído na lista vermelha da Interpol. Oito dias depois ele foi detido pela polícia em Madri. Com isso, as autoridades brasileiras iniciaram o pedido de extradição do investigado, que depende do governo e da Justiça espanhola.

Apontado como um dos operadores das offshores do departamento de propina da Odebrecht, ele tinha uma rede de empresas para movimentar dinheiro que as investigações revelaram ir além da empreiteira.
A partir das quebras de sigilo das empresas do advogado, a Lava Jato identificou que suas companhias receberam o total de R$ 36 milhões de empreiteiras investigadas na operação, entre elas, a UTC, Mendes Júnior e EIT, além da Odebrecht e de empresas de outros operadores já identificados na Lava Jato.

Somente da Mendes Júnior, o escritório Tacla Duran Sociedade de Advogados, entre 2011 e 2013, recebeu R$ 25 milhões. Da UTC foram R$ 9 milhões e da EIT outros R$ 2 milhões.

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