Espanha autoriza extradição de operador da Odebrecht preso em Madri

Espanha autoriza extradição de operador da Odebrecht preso em Madri

Rodrigo Tacla Duran é suspeito de integrar o Departamento de Propinas da empreiteira

Mateus Coutinho e Fausto Macedo

06 de fevereiro de 2017 | 05h00

Rodrigo Tacla Duran

O governo da Espanha autorizou a continuidade do processo de extradição do advogado Rodrigo Tacla Duran, acusado de integrar o Setor de Operações Estruturadas – o departamento da propina da Odebrecht – e que está preso no País europeu desde 18 de novembro de 2016 a pedido da Lava Jato.

O comunicado foi encaminhado à embaixada brasileira em Madri pelo Ministério de Assuntos Exteriores e Cooperação da Espanha no dia 24 de janeiro. A notificação foi encaminhada nesta sexta-feira, 3, ao juiz Sérgio Moro, em Curitiba, e informa que o Conselho de Ministros da Espanha autorizou a continuidade do processo de extradição, pela Justiça, solicitado pelas autoridades brasileiras.

Tacla Duran não é o único apontado como operador da empreiteira que foi localizado no exterior. Em fevereiro de 2016, o executivo Fernando Miggliacio foi detido na Suíça tentando encerrar contas bancárias no país europeu. Também acusado de atuar operando contas da Odebrecht para o pagamento de propinas no exterior, Miggliacio é alvo de uma investigação na Suíça e também teve sua prisão decretada na Lava Jato, durante a 23ª fase da operação chamada Acarajé.

O lobista Bernard Freiburghaus, outro acusado de operar contas para movimentar propina da empreiteira no exterior, responde a uma ação penal da Lava Jato aqui no Brasil, mas mesmo sendo alvo de um mandado de prisão da Lava Jato ele segue na Suíça, pois tem nacionalidade daquele país.

extradicaoespanha

‘Dragão’. Tacla Duran foi alvo de um mandado de prisão preventiva na 36ª fase da Lava Jato, a Operação Dragão, deflagrada em 10 de novembro de 2016 e cujo nome remete ao apelido de Tacla Duran nas planilhas do departamento de propinas. Como não estava no Brasil, ele foi considerado foragido e teve seu nome incluído na lista vermelha da Interpol. Oito dias depois ele foi detido pela polícia em Madri. Com isso, as autoridades brasileiras iniciaram o pedido de extradição do investigado, que depende do governo e da Justiça espanhola.

Apontado como um dos operadores das offshores do departamento de propina da Odebrecht, ele tinha uma rede de empresas para movimentar dinheiro que as investigações revelaram ir além da empreiteira.

A partir das quebras de sigilo das empresas do advogado, a Lava Jato identificou que suas companhias receberam o total de R$ 36 milhões de empreiteiras investigadas na operação, entre elas, a UTC, Mendes Júnior e EIT, além da Odebrecht e de empresas de outros operadores já identificados na Lava Jato.
Somente da Mendes Júnior, o escritório Tacla Duran Sociedade de Advogados, entre 2011 e 2013, recebeu R$ 25 milhões. Da UTC foram R$ 9 milhões e da EIT outros R$ 2 milhões.

O Estado apurou que no caso da Mendes Júnior, os repasses ao operador são explicados na proposta de delação premiada da Mendes em negociação com a Procuradoria-geral da República. Os valores seriam destinados a agentes públicos envolvidos em irregularidades em obras da Petrobrás e no governo do Rio de Janeiro.

O advogado foi citado na delação de Vinicius Veiga Borin – executivo dos bancos Antigua Overseas Bank (AOB) e Mein Bank usados para movimentar propina da Odebrecht no exterior – como um dos responsáveis por criar e operar offshores da Odebrecht. De acordo com Borin, Tacla Duran era responsável por um grupo de offshores utilizadas para operacionalizar os pagamentos efetuados pelo Departamento de Operações Estruturadas.

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