ESG: que não seja apenas uma onda

ESG: que não seja apenas uma onda

Alex Neves Strey*

09 de maio de 2021 | 06h15

Alex Neves Strey. FOTO: DIVULGAÇÃO

De tempos em tempos, novas tendências se firmam no universo corporativo. Se, em 2020, a pandemia exigiu que as organizações acelerassem sua transformação digital, 2021 está colocando de vez uma sigla na mesa dos CEOs: ESG. Meio ambiente, social e governança definitivamente deixaram de ser elementos acessórios para uma empresa sólida. Agora, precisam estar integrados, de fato, ao centro do negócio.

Mais do que um ativo para uma marca forte, esse conjunto de ações tem de constituir uma resposta assertiva a uma demanda crescente da própria sociedade. Por isso mesmo, o ESG não pode ser visto de forma reducionista ou simplista. E isso, infelizmente, vem acontecendo com frequência em muitas companhias. Não podemos restringir esses três itens a um checklist de ações para atender determinado objetivo — como conseguir publicar um relatório GRI ou valorizar papéis na bolsa, credenciando-se para grandes investimentos.

Essa é uma distorção de propósito que causa uma falsa sensação de avanço. Mas, então, que direção as organizações devem seguir? Existe apenas um caminho factível: conectar ESG ao impacto real na vida das pessoas, agindo de forma proativa e com pensamento sistêmico. É menos teoria e mais prática. Não basta preocupar-se somente com o que vai representar em ganho de valor de mercado ou de reputação. É necessário ir além, pensando nas pessoas e no ambiente que nos circunda.

A sua companhia se preocupa com o meio ambiente quando elabora um projeto ambicioso? Como lida com energia e os resíduos que produz? Mantém um bom relacionamento com a comunidade onde está inserida — inclusive gerando oportunidades para os mais vulneráveis e melhorando sua qualidade de vida? Promove a diversidade nos seus quadros, oferece remuneração justa e tem uma gestão transparente?

Em outras palavras: é essencial construir uma visão orientada a equilibrar crescimento econômico com conservação ambiental, desenvolvimento social e governança. Isso significa uma evolução, com uma percepção bem mais ampla, do que propunha o conceito de sustentabilidade dos anos 2000 — elevando a régua de exigência. Um desafio e tanto até para organizações bem estruturadas.

Estamos diante de uma mudança global de paradigma que requer uma nova postura por parte das empresas. Aquelas que se comprometerem, de verdade, com esse propósito e se anteciparem irão se diferenciar de seus concorrentes e colher bons resultados. Portanto, que o ESG não seja visto como mais uma onda a ser surfada momentaneamente, mas que provoque uma verdadeira conscientização de todos. E mais do que isso: ação na vida real.

*Alex Neves Strey, sócio-diretor da Arvut

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