Escritor português revela em livro segredos dos principais serviços secretos do mundo

Fausto Macedo

13 de outubro de 2013 | 07h00

As agências secretas só aparecem quando fracassam na sua missão de espionar, deixando de alguma forma que seus movimentos se tornem públicos. Quando bem sucedidas, em regra, é o governo para o qual trabalham que colhe os louros. Afinal, espião que é espião reporta-se ao chefe, não à imprensa. A constatação é do escritor português José-Manuel Diogo, que reconstruiu a história dos nove serviços secretos apontados como os mais eficientes do planeta. E, desse trabalho de pesquisa documental, bibliográfica, além de entrevistas com a velha guarda da arapongagem – cujos nomes foram mantidos sob sigilo –, surgiu o livro AS GRANDES AGÊNCIAS SECRETAS – Os segredos, os êxitos e os fracassos dos serviços secretos que marcaram a história.

O lançamento será realizado neste domingo, 13, no Rio, e na próxima terça feira, 15 de outubro, em São Paulo

Ao longo de 350 páginas, a obra traz informações como a firme disposição da CIA de envenenar o ditador cubano Fidel Castro: “Desmond Fitz Gerald fazia uma equipe fantástica com o imaginativo Edward Lansdale, tendo ponderado, em plena crise dos mísseis, usar o fanatismo de Fidel Castro pela pesca submarina em favor da CIA, contaminando-lhe os cilindros de oxigênio com um fungo mortal ou equipando um búzio com explosivos para que, quando Fidel Castro pegasse nele, por baixo de água, lhe estourasse na cara”.

A obra mostra cálculos errados dos americanos que trouxeram consequências desastrosas: “Quando a agência adverte a Casa Branca de que a situação de guerra civil no Ruanda poderia escalar para uma das maiores tragédias desde o Holocausto, e que os EUA deviam fazer algo quanto a isso, Bill Clinton ignorou o alerta, recusando-se a atuar mais em países do Terceiro Mundo, como o Ruanda, a Somália, o Sudão ou o Afeganistão. Uma decisão que, a médio prazo, se revelaria tragicamente errada.”

“A KGB surgiu após a Segunda Guerra Mundial, sendo a agência de informação e segurança da antiga União Soviética, com a missão de atuar como a polícia secreta do governo durante a Guerra Fria. E vamos lembrar que nessa época a arapongagem não estava na era digital e a criptografia era rudimentar, certo? Então, os agentes do NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos), o precursor da KGB, os agentes russos fizeram uma codificação própria para despersonalizar suas vítimas: as mulheres grávidas eram tratadas nos documentos por ‘livros’, as mulheres com filhos por ‘recibos’, os homens por ‘contas’, um grupo de detidos por ‘quota’’ e cada um deles, individualmente, por ‘preso’”.

Sanguinários, esses agentes mantinham cotas de fuzilamento, destaca o texto de “AS GRANDES AGÊNCIAS SECRETAS”. “Não raro, escreviam a Lênin perguntando se podiam ultrapassar em “algumas” centenas a meta que lhes fora previamente estabelecida.”

Há o caso conhecido de um protagonista que costumava usar um avental de couro preto para evitar se sujar com o sangue das vítimas diante do paredão. Era Vasili Blokhin o seu nome.

Em uma panorâmica, o leitor vai ter ao menos uma amostra, além de CIA e KGB, sobre o MI6, serviço de informação e inteligência encarregado de dirigir as atividades de espionagem no Reino Unido; e a Mossad, criada em 1951 para assegurar o futuro do Estado de Israel, estabelecida numa região instável e conflituosa.

O trabalho de José-Manuel Diogo mira as nações árabes e organizações em todo o mundo. “A DGSE é a agência de inteligência francesa, considerada apenas o último degrau de uma longa escada que, de uma forma ou de outra, tem influenciado a História da Europa e do mundo, desde os tempos de Napoleão Bonaparte até Charles de Gaulle. O MSS corresponde aos serviços secretos chineses, ou pelo menos a maior aproximação chinesa ao que no Ocidente costumamos entender como uma agência de inteligência e espionagem. O RAW, que atua como os serviços secretos indianos, não pode ser considerado sem que se mencione também seu grande rival e vizinho, o Inter-Services Intelligence (ISI), cujas atividades concentram-se em espionarem-se mutuamente.”

O escritor português faz uma ressalva. “O resultado da atuação das agências secretas desperta mais dúvidas do que certezas. O SIS é um dos serviços de informação de Portugal, fundado em 1984. Sua missão é a produção de informações úteis à segurança interna e a prevenção de atos que possam alterar ou destruir o Estado de Direito constitucionalmente estabelecido. Tal como em 2004, a Al-Qaeda continua a dominar as atenções do SIS, e de muitas outras agências secretas, não obstante a morte de Osama Bin Laden. E isto porque a ameaça do terrorismo islâmico é real. Daí a importância de um bom serviço de informações e da efetiva coordenação entre os vários serviços de inteligência.”

No Brasil, AS GRANDES AGÊNCIAS SECRETAS é publicado pela Via Leitura, um novo selo da Edipro especialmente para suas obras de caráter histórico e jurídico.

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