Escrever para empoderar

Escrever para empoderar

Lella Malta*

11 de julho de 2021 | 05h00

Lella Malta. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Em uma página em branco, é possível organizar emoções, construir uma identidade própria e alcançar o protagonismo que nos é vetado constantemente.

As palavras, sobre o outro ou sobre si mesma, ganham vida; personagens viram gente e enredos narram histórias que trazem cores vívidas para nossa conturbada existência.

Ao escrever, ganhamos voz. Mostramos que não apenas reproduzimos relatos apresentados por homens como universais, mas que somos agentes históricas e heroínas sem capa — exaustas, mas ainda de pé.

Nossos textos — como nosso peito aguerrido e nosso ventre bendito — acolhem o mundo, criam e recriam a realidade. Falam de tantas Marias, de tantas Joanas! Gritam sobre o cansaço sem ponto final, sobre as muitas vírgulas explicativas que ousam definir nossa imensidão feminina.

As palavras traçam um caminho cujo ponto final é o fortalecimento da consciência coletiva, expressada por ações para fortalecimento das mulheres e o desenvolvimento da equidade de gênero. Brotam do nosso peito para encontrar outras tantas por aí.

Além de praticar a escrita, precisamos ainda ser representadas naquilo que lemos. O apagamento da escrita de mulheres ainda é uma realidade na Literatura, afinal, escrever é marcar lugar na existência — e o mundo, construído sobre tintas do patriarcado, não tem histórico de nos convidar para passear em todos os seus campos.

*Lella Malta, cientista social, escritora, preparadora literária, educadora e terapeuta de escrita expressiva. Focada na saúde mental das mulheres, se dedica ao estudo da psicanálise e da psicologia positiva. Autora de três livros, os romances: “Qual é o nome da vez?” e “Você tem fama de quê?”. Além de uma obra autobiográfica que retrata a realidade de pessoas que lidam com a ansiedade: “Prazer, Paniquenta: Desventuras Tragicômicas de Uma Ansiosa”

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