Escola de samba ‘pedia votos’ para Paulo Ferreira, diz delator

Escola de samba ‘pedia votos’ para Paulo Ferreira, diz delator

Ex-tesoureiro do PT, alvo da Operação Abismo, teria repassado propinas do esquema Petrobrás para a Estado Maior da Restinga, 'da nossa comunidade'

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Vitor Tavares e Fausto Macedo

04 de julho de 2016 | 12h12

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O ex-vereador do PT em Americana (SP), Alexandre Romano, o Chambinho, afirmou em sua delação premiada na Operação Lava Jato que a escola de samba Sociedade Recreativa e Beneficente Estado Maior da Restinga pedia votos para o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira, durante campanha eleitoral. Paulo Ferreira teve prisão decretada na Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato, mas já está preso desde o fim de junho, alvo da Operação Custo Brasil, que pegou o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento/Governo Lula e Comunicações/Governo Dilma).

A investigação identificou quatro pagamentos no total de R$ 45 mil à escola de samba, divididos em um cheque de R$ 20 mil compensado em 15 de janeiro de 2010, três cheques R$ 5 mil cada compensados em 27 de janeiro de 2010 e dois cheques de R$ 5 mil cada compensados em 9 de fevereiro de 2010.

Paulo Ferreira já está custodiado preventivamente por ordem do juiz federal Paulo Bueno de Azevedo, da Custo Brasil, que investiga o Esquema Consist – empresa de software que teria desviado R$ 100 milhões de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento, gestão Paulo Bernardo, desde 2010.

Documento

Os investigadores da Abismo afirmam que parte da propina destinada a Paulo Ferreira, sobre obras do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), no Rio, foi direcionada para a escola de samba Estado Maior da Restinga, em Porto Alegre.

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“Há transferências para a empresa SRB Estado Maior da Restinga, que está identificada nos extratos como “ONG POA Restinga PF’; que esta ONG é ligada a Paulo Ferreira, pois se trata de uma organização carnavalesca, que ajudava Paulo Ferreira na campanha, pedindo votos para ele”, afirmam os procuradores da Lava Jato no pedido de prisão do ex-tesoureiro do PT, acolhido pelo juiz federal Sérgio Moro.

Chambinho entregou à Procuradoria da República ‘uma série de documentos’ que comprovariam as transferências bancárias e pagamentos que efetuou a pedido do ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira. Os papeis, segundo os investigadores, detalham ‘o vínculo entre os recebedores e o ex-tesoureiro’.

Em seu termo de delação número 1, Chambinho afirmou que conheceu Paulo Ferreira em 2005, que acabara de assumir a tesouraria do PT. Após se desfiliar do partido e abrir escritório de advocacia, Alexandre Romano entrou em contato com o então secretário financeiro da legenda ‘pedindo que lhe indicasse clientes’.

“Assim, a partir do ano de 2009, Paulo Ferreira passou a indicar empresas que teriam dívidas com ele (Paulo) ou com o Partido dos Trabalhadores para que Alexandre Romano recebesse os valores por meio de atos dissimulados”, descreve a Procuradoria da República no pedido de prisão do ex-tesoureiro do PT.

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Os procuradores afirmam que ‘em regra’, Alexandre Romano fazia contratos superfaturados ou simulados com as empresas indicadas, com base nos quais recebia os valores na conta de seu escritório de advocacia Oliveira Romano Sociedade de Advogados ou de outra empresa por ele controlada. “A seguir, repassava o valor para sua conta pessoal ou para a de sua esposa, Nathalie Romano e, após reter a porcentagem que lhe era devida pelo serviço (40% em caso de contratos superfaturados e 30% em caso de negócios simulados), entregava o restante a Paulo Ferrreira em espécie, por meio de transferências bancárias ou pagamento de contas indicadas pelo ex-tesoureiro”, sustentam os investigadores.

No pedido de prisão de Paulo Ferreira, os procuradores afirmam que o ex-tesoureiro é ‘figura muito querida junto à Estado Maior da Restinga, sempre auxiliando e apoiando a escola de samba da nossa comunidade, bi-campeã do Carnaval de Porto Alegre (2011/2012)’.

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