Escatopolítica

Escatopolítica

João Linhares*

18 de julho de 2021 | 07h45

João Linhares. FOTO: ARQUIVO PESSOAL

– “Caguei!”

Assim bradou um prócer da política,

excretando, pela boca,

aquilo que mais empreende,

em que é mais hábil,

proficiente.

Poderoso,

indecoroso,

indecente!

Avesso à crítica,

à razão,

e à voz do povo,

que de tanto gritar,

já está rouca,

e segue a toada,

de “cagada em cagada”,

sacrifica a nação.

Perdura obrando, obrando, obrando,

no Brasil todo,

que vai se putrefazendo, fedendo, ardendo,

política do ódio,

do excremento:

Escatopolítica”!

A fina flor do Lácio

agora conta com um novo

pronome de tratamento:

excrementíssimo”!

Enquanto os corpos vão se amontoando,

ao lado das infindáveis obras,

em vulto elevadíssimo…

Exercício intermitente

de desapreço à vida,

de descaso,

de necropolítica.

“Caguei!”,

logo persisto,

e politicamente fascisto!

Embora ignoto,

displicente,

arrogante,

estridente.

Que figura,

que deprimente!

Dom Pedro I também obrou,

pouco antes do grito do Ipiranga.

País de obradores,

de governantes esdrúxulos,

de muitos ditadores.

O pior seria,

após suas fétidas obras,

perder nas urnas,

e numa histeria,

excretar verbalmente:

– “Diga ao povo que fico!

Obrando,

auditando urnas (funerárias),

sempre mais nanico!

Afinal, sou coveiro da democracia

e antípoda da razão.

Levo comigo,

na palma de minha mão,

o país num penico.

Meu lema é obrar, obrar, obrar…”

*João Linhares, integrante da Academia Maçônica de Letras de MS. Promotor de Justiça do Ministério Público de MS. Mestre em Garantismo e Processo Penal pela Universidade de Girona (Espanha). Especialista em Controle de Constitucionalidade e Direitos Fundamentais pela PUC-RJ

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