‘Eram os homens que determinavam o que era bom ou ruim para nós, mulheres’, diz Viviane Girardi, primeira mulher eleita presidente da Associação dos Advogados de São Paulo em 77 anos

‘Eram os homens que determinavam o que era bom ou ruim para nós, mulheres’, diz Viviane Girardi, primeira mulher eleita presidente da Associação dos Advogados de São Paulo em 77 anos

Após eleição, advogada afirma que sua vitória demonstra 'trajetória das mulheres em busca da representatividade e de ocupação dos espaços de poder'

Redação

18 de dezembro de 2020 | 10h40

Viviane Giradi, a primeira mulher presidente da AASP. Foto: Divulgação

A advogada Viviane Girardi foi eleita presidente da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) nesta quarta-feira, 16. Ela será a primeira mulher a comandar a entidade que foi fundada há 77 anos e hoje conta com mais de 80 mil integrantes, sendo a maior associação de advogados da América Latina. Após a eleição, a advogada afirmou que sua vitória demonstra a ‘trajetória das mulheres em busca da representatividade e de ocupação dos espaços de poder’.

“Não é uma busca da representatividade e dos espaços de poder por uma questão de divisão e de luta. Muito pelo contrário, por trás disso há uma trajetória, há uma caminhada, há uma luta das mulheres, não sem o peso e o ônus desconhecidos pelos nossos pares homens. A trajetória das mulheres é marcada de forma diferente”, apontou a advogada.

“É preciso lembrar que a nossa sociedade é marcada pelo patriarcado, que determinou os lugares das mulheres na vida doméstica e no ambiente privado, dando aos homens a esfera pública e as esferas de ocupação de poder. Durante muito tempo, nós, mulheres, não tínhamos voz e eram os homens que determinavam o que era bom ou ruim para nós, mulheres”, completou.

Viviane também disse que, apesar de a advocacia estar se ‘feminizando’, ainda há uma dificuldade para as mulheres chegarem a cargos de chefia e de poder. “Nos grandes escritórios, por exemplo, temos uma massa de 50% a 60% de mulheres formando a estrutura de trabalho, não obstante o número que chega aos cargos de poder seja de 30%”, ponderou.

A eleição da primeira mulher presidente da AASP se dá na esteira da aprovação, pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da paridade de gênero e cota racial para o preenchimento de cargos dentro da entidade. A medida entra em vigor para as próximas eleições internas da associação que deverão ser realizadas em 2021.

Para Viviane, a AASP reconheceu a presença feminina na advocacia e ‘sente que elas precisam estar representadas e reconhecidas, que tenham espaço, voz e participação’.

Nesta quarta, 16, também foram eleitos os novos diretores da associação: Fátima Cristina Bonassa (vice-presidente), Mário Luiz Oliveira da Costa (primeiro-secretário), Eduardo Foz Mange (segundo-secretário), André Almeida Garcia (primeiro-tesoureiro), Paula Lima Hyppolito dos Santos Oliveira (segunda-tesoureira), Silvia Rodrigues Pereira Pachikoski (diretora Cultural), Ruy Pereira Camilo Junior (diretor adjunto) e Flávia Hellmeister Clito Fornaciari Dórea (diretora adjunta). Todos assumem suas funções em 1.º de janeiro de 2021.

A trajetória de Viviane Girardi

Viviane Girardi, atual vice-presidente da AASP, é advogada especialista em direito de família e sucessões. É doutora em Direito Civil pela Universidade de São Paulo, mestre em Direito Civil pela Universidade Federal do Paraná e especialista em Direito Civil pela Universidade de Camerino, Itália. Na AASP ocupou os cargos de diretora Cultural (2015 e 2016), segunda-secretária (2017), primeira-secretária (2018) e vice-presidente (2019 e 2020).

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