‘Era para deixar os pacotes em cima da mesa’, diz assessor de deputado preso no Rio

‘Era para deixar os pacotes em cima da mesa’, diz assessor de deputado preso no Rio

Fabio Cardoso Nascimento, funcionário de Paulo Melo (MDB) na Assembleia Legislativa, ambos investigados na Operação Furna da Onça, depôs em 26 de novembro à Polícia Federal e contou que pode ter recebido 'encomendas' com valores em espécie para o parlamentar

Julia Affonso

10 Dezembro 2018 | 05h00

Alerj. Foto: Fabio Motta/Estadão

Em depoimento à Polícia Federal, no Rio, um assessor do deputado estadual Paulo Melo (MDB) – parlamentar preso desde novembro de 2017 – disse que pode ter recebido ‘encomendas’ com valores em espécie para o emedebista. Fabio Cardoso Nascimento declarou que era ‘recomendado’ que ele deixasse os pacotes em cima da mesa ‘sem abrir’.

O assessor e sua irmã Andreia Cardoso do Nascimento, suspeitos de receber propina para Paulo Melo, foram presos pela primeira vez na Operação Cadeia Velha, investigação que capturou também o próprio deputado, e ficaram custodiados por nove meses. Eles foram soltos por decisão do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região (TRF-2), em 22 de agosto.

Menos de três meses depois de deixarem a cadeia, Fabio e Andreia foram alvo de busca e apreensão da Operação Furna da Onça, no dia 8 de novembro. Segundo o Ministério Público Federal, durante a busca policial foram encontrados manuscritos que demonstrariam que os irmãos ‘deram instruções voltadas à ocultação e à destruição de provas para pessoa ainda não identificada’. Fabio e Andreia tiveram, então, a prisão decretada pelo Tribunal em 14 de novembro.

Fabio prestou depoimento à PF em 26 de novembro. O assessor declarou que ‘seu patrimônio é modesto’. Ele disse que ‘não possui muitos bens’.

“Desconhecia o conteúdo dos pacotes que recebeu para Paulo Melo e que recebia muitas encomendas para ele, sendo recomendado que colocasse em cima de sua mesa, sem abrir”, declarou.

“Questionado sobre possível recebimento de valores em espécie para o deputado Paulo Melo, esclarece que, nas oportunidades em que estava no escritório chegou a receber diversos tipos de encomendas endereçadas ao referido deputado, não sabendo o conteúdo das mesmas, podendo ter recebido valores em espécie, mas não sabe afirmam o que continham as encomendas recebidas.”

A PF questionou Fabio Nascimento sobre bens e valores recebidos. O assessor disse ser ‘inocente, em razão de não saber o conteúdo (dos pacotes)’.

“Afirma que não possui bens além dos que estão declarados”, disse.

“Sobre os bens que anotou sobre fazenda milionária adquirida no Pará, afirma que a fazenda era de Paulo Melo e não sua; que essa fazenda é em Paragominas e acha que seria usada para plantio, mas não sabe mais detalhes.”