Equidade de gênero: muito além do discurso

Equidade de gênero: muito além do discurso

Andreia Dutra*

13 de março de 2021 | 07h00

Andreia Dutra. FOTO: DIVULGAÇÃO

Estamos vivendo uma era de transformações, onde a sociedade tem influenciado na atuação e posicionamento das marcas. Se antes as empresas visavam apenas o lucro, impondo serviços e produtos sem olhar para o impacto social que tinham, hoje essas mesmas empresas precisam se reinventar e reinventar seu negócio para também oferecer soluções que considerem as pessoas no centro de tudo, e isso vai além do  propósito, é a geração de impacto positivo. A pauta ESG-Enviromental Social and Governance é agora parte das discussões e está definitivamente inserida no negócio. No Social, a Diversidade permeia todos os aspectos. Com isso, o debate sobre equidade de gênero vem crescendo e ganhando um importante espaço dentro das organizações no Brasil, sendo um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU mais destacados pelas empresas.

Ao longo dos anos, as mulheres têm conquistado mais espaço na sociedade, inclusive no mercado de trabalho, mas ainda há muito o que fazer para termos um mundo sem desigualdade. E as empresas têm o poder de proporcionar mudanças positivas e igualdade de oportunidades para todos ao ampliarem suas políticas de diversidade e ações afirmativas para aceleração desse processo.

Políticas de equidade de gênero que vão desde o processo de atração e  recrutamento, passando pela progressão na carreira com oportunidades de crescimento igualitárias e remuneração justa para que não haja um gap salarial entre os colaboradores, iniciativas em parceria com programas de capacitação e ações de conscientização são alguns exemplos de boas práticas que podem ajudar a reduzir o tempo previsto de longos 257 anos, apontados pelo Fórum Econômico Mundial em 2019, para atingirmos a paridade salarial entre gêneros no mundo.

De acordo com um estudo realizado pela Talenses, em parceria com a Insper, quanto mais mulheres em cargos de liderança nas empresas, maior a promoção da igualdade de gênero nas companhias. Ou seja, quando uma mulher ascende, ela tende a inspirar e dar mais confiança para que outras mulheres também busquem seu espaço.

Ações desse tipo não são realizadas somente por serem a coisa certa a se fazer, mas também por serem comprovadamente eficazes no aumento de inovação, resultados e engajamento no negócio. De acordo com a McKinsey, as empresas com equidade têm 21% mais chances de terem os resultados acima do esperado, ou seja, quanto mais diversidade tem em uma empresa, melhor é seu desempenho.

Como mulher e executiva de uma grande companhia no Brasil e mundo, que possui iniciativas sólidas voltadas para a diversidade e inclusão, um dos principais desafios que temos é de garantir a criação de um ambiente que atrai, retém e desenvolve líderes mulheres, que prosperam e cresçam profissionalmente.

Nesse sentido, tenho orgulho de fazer parte da Sodexo, uma empresa que tem a Diversidade permeando a cultura por meio de diversos programas que atuam para o empoderamento feminino e para que todas as pessoas possam ser elas mesmas e utilizarem o máximo do seu potencial. Essas iniciativas, assim como toda agenda estratégica que norteia a companhia, nos permitem contribuir com a equidade de gênero, que direciona uma de nossas  metas globais, de atingir uma proporção de 40-60% de equipes femininas/masculinas em todos os níveis da organização até 2025. Na Sodexo do Brasil temos atualmente 89% dos cargos de liderança ocupados por mulheres e 50% do comitê executivo.

Além disso, também promovemos a sororidade, incentivando a empatia, o respeito e a solidariedade entre nossas colaboradoras. Afinal, a união entre nós, mulheres, é essencial para deixar os estigmas e, assim, conquistarmos os direitos pelos quais lutamos. Também envolvemos nossos colegas homens nessa conversa, porque são eles que ocupam hoje o maior percentual de líderes que deverão promover a igualdade de oportunidades e verdadeira equidade nos ambientes de trabalho.

E minha trajetória como executiva, até aqui, me mostrou que podemos e devemos lutar por uma transformação, colocando ações em prática que englobem pessoas e talentos, sem prejulgamentos ou discriminação. Quero, na verdade, fazer parte de uma nova era para as mulheres na sociedade e no mercado de trabalho. Uma era de mulheres que tenham naturalmente seu espaço e voz, que lideram grandes empresas e que criam seus próprios negócios, que sejam felizes, se sintam completas e realizadas. Isso, para mim, é o mais importante.

*Andreia Dutra é presidente da Sodexo On-site no Brasil

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