‘Enviei para nosso amigo um livro de 181 páginas sobre túneis suíços’

‘Enviei para nosso amigo um livro de 181 páginas sobre túneis suíços’

Em delação, empresário Ricardo Pernambuco Júnior revela código para tratar, com seu pai, propina para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

17 de abril de 2016 | 05h03

Eduardo Cunha. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Eduardo Cunha. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O empresário Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, revelou à Procuradoria-Geral da República o significado de uma mensagem cifrada trocada com seu pai para tratar de suposta propina para o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Pernambuco Júnior é um dos delatores da Operação Lava Jato.

Segundo o empreiteiro, a propina total ‘devida’ a Cunha era de R$ 52 milhões, que deveriam ser divididos pela Carioca – R$ 13 milhões -, OAS e Odebrecht, sobre contratos do Porto Maravilha, no Rio. O empresário entregou aos investigadores uma tabela que aponta 22 depósitos somando US$ 4.680.297,05 em propinas supostamente pagas pela Carioca a Eduardo Cunha entre 10 de agosto de 2011 e 19 de setembro de 2014.

“Há um e-mail com o assunto “túneis”, em que o pai do depoente, no dia 26 de abril de 2012, escreve: “Enviei para nosso amigo um livro de 181 páginas sobre túneis suíssos (sic). Convém ele confirmar se recebeu o livro e se gostou das fotos”; que se tratava de uma mensagem cifrada enviada por seu pai”, contou. “A pessoa de ‘nosso amigo’ fazia referência ao deputado Eduardo Cunha e a menção ‘181 páginas’ referia-se ao valor de 181 mil francos suíços e, ainda, ‘túneis suíssos (sic)’ fazia referência ao país do depósito, ou seja, a Suíça.”

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Pernambuco Júnior deu detalhes aos procuradores. “Inclusive, relacionado a este e-mail, já foi identificada uma transferência ocorrida no dia 24 de abril de 2012 – ou seja, dois dias antes do e-mail – na qual consta repasse de valores de 181 mil francos suíços (equivalentes na época a US$ 198.901,10, conforme tabela), para a conta da offshore Penbur Holdings, provavelmente no banco BSI.”

Delator afirma que pagou propina a Eduardo Cunha no exterior.

Delator afirma que pagou propina a Eduardo Cunha no exterior.

O delator entregou à Procuradoria-Geral da República ‘múltiplos registros de agenda outlook, relativos a encontros seus com Eduardo Cunha, referindo inclusive ao endereço do escritório político dele no Rio de Janeiro’.

“Nestes registros, Eduardo Cunha é identificado pelas iniciais de seu nome, ‘EC’.”

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Em 14 páginas de depoimento, o empresário Ricardo Pernambuco Júnior narrou com detalhes o primeiro encontro que teve com o presidente da Câmara para combinar como seriam feitos pagamentos no exterior. A reunião teria ocorrido no escritório político de Cunha, no Rio, início de agosto de 2011.´Nessa época, o peemedebista ainda não exercia a presidência da Casa.

Pernambuco Júnior descreveu para os investigadores o escritório do presidente da Câmara. “Indagado sobre a descrição do escritório político de Eduardo Cunha, respondeu que se trata de um escritório com decoração mais antiga, que tem uma antessala, com uma recepcionista; que, além disso, havia dois sofás, em seguida um corredor, com duas salas; que nestas salas havia uma secretária mais alta e um assessor do deputado; que este assessor era uma pessoa mais velha, com cerca de 60 anos, acreditando que fosse um pouco calvo, possuindo cabelo lateral; que nunca conversou, porém, nenhum assunto com tais pessoas; que mais à esquerda tinha a sala do deputado Eduardo Cunha, com uma mesa antiga, de madeira maciça, com muitos papeis em cima; que acredita que o escritório fique no 32.º andar.”

COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE IMPRENSA DE EDUARDO CUNHA

É a quarta vez que sai matéria sobre mesmo assunto. O presidente já repudiou os fatos que não tem prova alguma.

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