Entretenimento a sério

Entretenimento a sério

Kiko Fernandes*

11 de agosto de 2021 | 04h30

Kiko Fernandes. FOTO: DIVULGAÇÃO

A busca pela definição do entretenimento pode se dar de várias formas. No sentido lato por exemplo, minha neta de um ano e oito meses, se já soubesse falar, definiria que o entretenimento está mesmo no embrulho. Apesar da dispendiosa escolha pelo brinquedo. Tanto faz o que está lá dentro. Entretenimento é definido como aquilo que distrai.

O fato é que nesses tempos pandêmicos o entretenimento assumiu o protagonismo. Sua fundamental relevância terapêutica foi plenamente comprovada ao contribuir para a sanidade humana nesse forçado confinamento. Indicadores apresentados pela consultoria global Kantar Ibope Media revelam que mais de 204 milhões de brasileiros assistiram televisão em 2020. “Independentemente da forma de acesso: 68% dos usuários de internet viram mais vídeo e TV online por streaming gratuito durante os períodos de isolamento e 58% mais streaming pago.” Em Março de 2021 os termos “melhores ‘séries”, “melhores filmes” e “o que é streaming” aparecem entre as principais buscas no nosso país, segundo estudo do Google Trends.

A cultura de uma forma geral foi uma tábua de salvação. Beneficiou-se desse destaque ao mesmo tempo que sofreu transformações para adaptar-se ao consumo online. Em pesquisa de 2020 a Digital Midia Association informa que mais de um trilhão de streammings ocorreram em 2019 prevendo ainda que o streamming elevará a a indústria musical ao seu topo no ano de 2025.

Não chega a ser uma ruptura mas até a educação em meio a grandes mudanças está se repaginando e se apresentando como “Edutainment” que é resultado da soma dos conceitos de educação com o de entretenimento. O setor audiovisual brasileiro já gerou R$24 bilhões em renda para a economia do país contra R$22,74 bilhões gerado pelo comércio de veículos automotivos, ocupando a quinta posição no ranking das atividades economicamente mais relevantes do país, superando as indústrias farmacêutica, têxtil e de equipamentos eletrônicos, segundo fonte do IBGE. Num novo relatório da
SuperData, braço de análise de entretenimento da Nilsen o faturamento anual do setor de games teve receita de US$ 126,6 bilhões em 2020, representando 12% a mais que no ano anterior. São números suficientes para colocar a indústria de games em destaque no mundo do entretenimento, superando a movimentação de toda a indústria musical e cinematográfica somadas.

No entanto, obstáculos externos ao desenvolvimento das produtoras limitam sua capacidade de crescimento, e a falta de profissionalização dificulta a construção de modelos de negócios de longo prazo. Nesses segmentos, a maior parte das empresas são pequenas, elas não são capturadas pelos dados quantitativos da pesquisa do IBGE pois têm menos de 20 funcionários. Daí a importância da profissionalização do mercado e da capacitação de nossa mão de obra.

É hora de o país encarar a indústria do entretenimento a sério.

*Kiko Fernandes é publicitário, produtor musical e professor da PUC-Rio, Facha e Fundação Getúlio Vargas e autor do livro Fazendo música para publicidade. O fonograma publicitário

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