Entrega-se à PF último procurado da Operação Custo Brasil

Entrega-se à PF último procurado da Operação Custo Brasil

Advogado Guilherme Gonçalves, suposto repassador de propinas do esquema Consist para o ex-ministro Paulo Bernardo, estava em Portugal e chegou em Cumbica neste domingo

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

26 de junho de 2016 | 18h44

Agentes da PF durante a Operação Custo Brasil, em São Paulo. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

Agentes da PF durante a Operação Custo Brasil, em São Paulo. FOTO: FELIPE RAU/ESTADÃO

O advogado Guilherme Gonçalves, último procurado da Operação Custo Brasil, entregou-se neste domingo, 26, à Polícia Federal em São Paulo.

Apontado como repassador de propinas do esquema Consist ao ex-ministro Paulo Bernardo – Planejamento (Governo Lula)/Comunicações/Governo Dilma -, Gonçalves desembarcou à tarde de uma viagem a Lisboa no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos/Cumbica.

Guilherme Gonçalves estava sob monitoramento da polícia portuguesa desde quinta, 23, a pedido da PF.

O advogado foi submetido a exames no Instituto Médico Legal e, depois, levado à Custódia da Superintendência Regional da PF na Lapa de Baixo, onde estão outros alvos da Custo Brasil, entre eles Paulo Bernardo, este preso na quinta-feira, 23.

Guilherme Gonçalves informou que estava no país europeu ‘a passeio’. Em Portugal, disse, ‘passou pelas praias entre Coimbra e o Porto’.

Sua prisão foi decretada pelo juiz Paulo Bueno de Azevedo, da 6.ª Vara Federal Criminal de São Paulo. Ao todo, o magistrado, a pedido da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, decretou a prisão preventiva de onze investigados da Custo Brasil.

A operação foi deflagrada na quinta, 23. Ao saber, ainda em Portugal, que era alvo de um dos mandados de prisão preventiva, Gonçalves anunciou, por meio de sua defesa, que iria se apresentar, o que ocorreu neste domingo, 26.

Em agosto de 2015, o advogado, com escritório sediado em Curitiba, foi alvo de buscas da Operação Pixuleco II, desdobramento da Lava Jato.

A PF e a Procuradoria da República suspeitam que o escritório de Gonçalves repassava propinas a Paulo Bernardo e também custeava despesas eleitorais da senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR), mulher do ex-ministro que é investigada no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

Os recursos teriam saído do esquema Consist – rombo milionário dos empréstimos consignados. A Consist, empresa de software, fechou acordo em 2010 com entidades contratadas pelo Ministério do Planejamento, na gestão de Paulo Bernardo, para gerenciar os consignados.

A investigação aponta desvio de R$ 100 milhões – grande contingente de servidores públicos que tomaram empréstimos pagaram mensalmente taxa quatro vezes superior à que deveria ser recolhida.

Quando foi alvo da Pixuleco II, o advogado Guilherme Gonçalves negou taxativamente que tivesse ligação com a fraude dos consignados. Ele disse, ainda, que atuava em causas eleitorais de interesse da senadora Gleisi.

Nesta segunda-feira, 27, ele deverá ser ouvido em audiência de custódia na Justiça Federal em São Paulo.

Paulo Bernardo foi ouvido na sexta-feira, 24. Ele negou recebimento de valores ilícitos.

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