Entre a saúde física e a mental, fique com as duas

Entre a saúde física e a mental, fique com as duas

Mariane Morelli*

13 de novembro de 2021 | 07h00

Mariane Morelli. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Comitê Olímpico Internacional (COI) mudou o lema, adotado desde o final do século XIX, para os Jogos, que era “mais rápido, mais alto, mais forte”. A partir dos Jogos de Tóquio, a frase passa a incluir a palavra “juntos”, ficando: “mais rápido, mais alto, mais forte – juntos”. Isso é um marco na história moderna e vai muito ao encontro do momento que estamos vivendo. Só podemos crescer e fomentar um mundo melhor se pensarmos e agirmos coletivamente, seja na vida profissional ou pessoal. E isso nunca foi tão necessário para a indústria na qual eu e meus sócios decidimos investir quando ainda tínhamos entre 19 e 22 anos de idade.

A pandemia do coronavírus evidenciou algumas situações latentes há muito tempo. Além de toda a crise econômica, financeira e de saneamento básico, a Covid-19 jogou luz a uma questão extremamente importante, que é a saúde física e mental das pessoas, e isto trouxe um impacto gigantesco para o formato de inúmeros modelos de negócios. Definitivamente, o papel de promotor da saúde passou a ser protagonista, consolidando uma nova era na qual descobrimos que não é necessário escolher uma das vias, física ou emocional, mas sim que a correlação entre elas proporcionará o que tanto almejamos: o melhor de nossa saúde e imunidade.

Recentemente, alguns estudos mostraram que até mesmo os atletas mais preparados estão expostos aos efeitos de um potencial desequilíbrio entre a saúde física e mental. O Jornal Britânico de Medicina Esportiva realizou um estudo sobre a frequência de transtornos de saúde mental em ex-esportistas e competidores de elite. A pesquisa mostra que 26% dos profissionais aposentados demonstraram algum sintoma de ansiedade ou depressão. O número sobe para 34% quando os respondentes são atletas em atividade. Isso acontece por diversos motivos que são comuns a muitos de nós.

A busca em demasia pela perfeição, a cobrança em excesso pela vitória e o medo da lesão, principalmente em momentos cruciais da carreira, são alguns fatores que potencializam essa instabilidade emocional dos atletas em qualquer modalidade. As saúdes física e mental são duas faces de uma mesma moeda. É impossível uma andar sem a outra e, por consequência, isso faz com que os bons resultados dependam, invariavelmente, de um equilíbrio entre elas. Como diariamente desenvolvemos e nos inspiramos em atletas para levar o que há de melhor para milhões de consumidores, nesse contexto me permito destacar três procedimentos que devem estar no dia a dia de cada atleta, seja amador ou de alta performance.

Trace suas metas e tenha claro o que será necessário fazer para alcançá-las. Invista em sua preparação física e mental. Por fim, mas não menos importante, cuide de sua saúde, começando pela nutrição composta por uma alimentação balanceada e suplementação adequada. A conjunção desses fatores potencializará os resultados, sejam eles quais forem.

Diversas indústrias olham para a saúde com mais ou menos intensidade, permeando sempre qual o impacto de uma sociedade “doente” em seus negócios. Porém, sabemos, mesmo no nosso inconsciente, que é uma variável que transcende a lógica de resultados financeiros, inclusive um artigo da Harvard Business Review lista algumas estratégias para líderes que buscam apoiar a saúde mental de seu time. Entre elas, está “abraçar a vulnerabilidade”. No entanto, a vulnerabilidade, assim como muitos indicadores esportivos, é individual. Sob esse prisma, o cenário traz insights que deveriam ser amplamente difundidos na sociedade. São eles: desenvolver autoconsciência (estou bem?), conhecer a si próprio (talvez eu não esteja realmente bem) e fortalecer o senso de empatia com os outros (eles estão bem?).

Um dos pensamentos mais famosos atribuídos ao São Beda, conhecido como o pai da erudição inglesa, diz que existem três caminhos para o fracasso: não ensinar o que se sabe, não praticar o que se ensina e não perguntar o que se ignora. E é nesse sentido que diariamente tenho mobilizado os meus esforços e dos líderes que estão nessa jornada comigo a fim de entender como podemos, juntos, elevar o mundo de negócios no qual estamos inseridos, através de conhecimento, colaboração e humildade para seguir transformando o que até então parecia imutável.

Fique atento aos sinais, porque, às vezes, até mesmo os heróis precisam de ajuda.

*Mariane Morelli, sócia-fundadora do Grupo Supley

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