“Entramos com petição para suspender inquérito”, diz Temer

“Entramos com petição para suspender inquérito”, diz Temer

O presidente Michel Temer acusou o delator Joesley Batista, da JBS, de fazer uma 'gravação clandestina' de diálogo com ele no Jaburu e afirmou ter pedido a 'suspensão do inquérito' no Supremo Tribunal Federal

Luiz Vassallo, Naira Trindade, Thais Barcellos, Aline Bronzati e Álvaro Campos

20 de maio de 2017 | 15h03

Michel Temer. Foto: DIda Sampaio/Estadão

O presidente Michel Temer afirmou, em pronunciamento, neste sábado, 20, que pediu suspensão do inquérito contra ele aberto no Supremo Tribunal Federal, embasado nas delações da JBS. O peemedebista afirmou que a gravação feita em conversa entre ele e o dono do grupo JBS no Jaburu, em março deste ano, foi editada.

Em seu discurso, de um pouco mais de 13 minutos de duração, Temer buscou desqualificar os áudios gravados por Joesley Batista em conversa realizada em março deste ano, no Palácio do Jaburu, conforme havia antecipado a Coluna do Estadão.

O presidente Michel Temer afirmou ainda que Joesley Batista está “livre passeando pelas ruas de Nova Iorque”, “impune depois de gravar clandestinamente” o presidente.

“Por isso, no dia de hoje, entramos com petição no STF para suspender inquérito proposto até que seja verificada em definitivo a autenticidade da gravação clandestina”, afirmou Temer.

O presidente ainda afirmou que o empresário ‘cometeu o crime perfeito’, se utilizando de uma ‘gravação fraudulenta’.”Quero pontuar que houve grande planejamento para realizar esse grampo e depois montagem, e criar um flagrante que incriminasse alguns, enquanto criminosos fugiam para exterior em segurança”, disse.

“A notícia foi vazada por gente ligada ao grupo empresarial e antes de entregar a gravação comprou um bilhão de dólares. Eles sabiam que isso provocaria o caos”, afirmou.

Além de se defender das delações, o presidente voltou a apelar para a recuperação economia para justificar sua manutenção no cargo. “Teve uma montagem e uma ação deliberada que incriminasse alguns. O Brasil a caminho da recuperação econômica para colocar o País nos trilhos.”

Ao final do pronunciamento, Temer voltou a reiterar que continuará à frente do governo.
“O Brasil não sairá dos trilhos, e eu continuarei à frente do Brasil.”, disse, ao encerrar discurso.

O presidente Michel Temer foi gravado pelo empresário Joesley Batista no dia 7 de março deste ano. No diálogo, o empresário confessa ao peemedebista pagar uma mensalidade de R$ 50 mil a um procurador da República a fim de vazar informações de inquéritos de interesse do grupo JBS. O procurador da República Ângelo Goulart Villela foi preso preventivamente por suspeita de ser o informante de Joesley. No diálogo, ainda é discutida uma suposta compra do silêncio de Eduardo Cunha, condenado a 15 anos na Operação Lava Jato.

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