Entidades contestam relatório do Coaf sobre transação ‘suspeita’

Sindicato dos Bancários, Bancoop e corretora negam irregularidade em movimentação bancária; Vaccari não se manifesta

Redação

15 de janeiro de 2015 | 21h05

Por Mateus Coutinho

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, ligado à CUT, a Bancoop, cooperativa criada pela entidade, e a Planner Corretora de Valores afirmaram não haver irregularidades em uma transação de R$ 18,1 milhões realizada em 2009 e considerada suspeita pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A movimentação foi classificada como suspeita pelo Coaf em um relatório entregue aos investigadores da Operação Lava Jato.

O tesoureiro do PT João Vaccari Neto, na época presidente da Bancoop, não quis se manifestar ontem sobre o assunto.

Segundo o documento encaminhado à Justiça Federal, em 23 de novembro de 2009, a Bancoop recebeu R$ 18,1 milhões do Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários de São Paulo. “Na mesma data, foram transferidos R$ 18.151.892,51 para a empresa Planner Corretora de Valores”, afirma o relatório.

O órgão levantou dúvidas sobre a movimentação financeira. “Contas que não demonstram ser resultado de atividades ou negócios normais, visto que utilizadas para recebimento ou pagamento de quantias significativas sem indicação clara de finalidade ou relação com o titular da conta ou seu negócio”, diz o relatório.

Foto: Evelson de Freitas/Estadão

Foto: Evelson de Freitas/Estadão

O documento foi feito a pedido MPF para monitorar as contas de Vaccari, apontado como operador do PT no esquema de propina na Petrobrás.

‘Liquidação’. Por meio de nota, a Bancoop afirmou que a quantia repassada para a Planner Corretora de Imóveis era relativa à liquidação de um fundo de investimentos criado pela cooperativa em 2004 com recursos de investidores na época.

O fundo, segundo a Bancoop, era administrado pela Planner e visava “arcar com custos já incorridos e adiantar a construção de empreendimentos da cooperativa”.

Segundo a Bancoop, o fundo foi liquidado em novembro de 2009 “após a cooperativa ter adquirido um empréstimo junto ao Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, documentado em um contrato de mútuo, devidamente contabilizado, auditado e aprovado.”

A cooperativa afirma ainda na nota que a “Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável pela fiscalização e acompanhamento deste tipo de fundo, apontou que não existe qualquer irregularidade com o FIDC Bancoop I , que já foi objeto de análise pelo Tribunal de Contas da União (TCU).”

O Sindicato dos Bancários de São Paulo reiterou em nota a versão da cooperativa.

Investidores. Em entrevista ao Estado, o diretor da Planner, Artur Figueiredo, afirmou que o fundo contou com recursos de dez investidores que receberam os investimentos de volta após a liquidação do fundo, em 2009.
“Esse dinheiro (R$ 18,1 milhões) nada mais é que a obrigação da Bancoop com o fundo”, disse Figueiredo. Segundo ele, a quantia não ficou com a Planner, mas foi repassada aos investidores.