Enquanto Bolsonaro insiste em Ramagem, novo chefe da PF diz que ‘crime não retrocede’ e que vai combater a corrupção

Enquanto Bolsonaro insiste em Ramagem, novo chefe da PF diz que ‘crime não retrocede’ e que vai combater a corrupção

Em meio à nova ofensiva do presidente, que insiste na nomeação de Alexandre Ramagem, delegado rolando Alexandre diz à toda corporação, por mensagem na intranet, que 'não há parâmetros para dimensionar as dificuldades' que ele e seus pares vão enfrentar

Pepita Ortega e Fausto Macedo

08 de maio de 2020 | 13h27

O presidente Jair Bolsonaro durante assinatura do Termo de Posse de Rolando Alexandre de Souza, Diretor-Geral da Polícia Federal. Foto: Isac Nóbrega/PR/Palácio do Planalto

O novo diretor-geral da Polícia Federal Rolando Alexandre de Souza enviou mensagem pela intranet da corporação nesta sexta, 8, destacando que ‘não há parâmetros para dimensionar as dificuldades’ que ele e seus pares vão enfrentar tendo em vista a pandemia do novo coronavírus e alertando que o ‘crime não retrocede e nem recrudesce’, se ‘aproveitando das circunstâncias para perpetrar injustiças’. O texto é compartilhado após investida do governo Bolsonaro envolvendo seu primeiro escolhido para o comando da corporação Alexandre Ramagem.

“Combater o crime, nos seus mais variados modais, como corrupção, tráfico de drogas e armas, crimes ambientais, previdenciários e tantos outros, será missão diária e que buscaremos incansavelmente”, afirmou o delegado. “A Polícia Federal é um corpo único e com grande consciência institucional. Conto com todos vocês. Somos fortes na linha avançada”, destacou em outro trecho do texto.

A mensagem de Rolando circula entre seus pares um dia após a Advocacia-geral da União pedir ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que reconsidere a decisão liminar que suspendeu a nomeação e posse do delegado Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal.

Documento assinado pelo advogado da União José Affonso de Albuquerque Netto juntando nesta quinta, 7, aos autos do processo que resultou na suspensão da nomeação de Ramagem registra que o pedido se dá ‘a fim de que o ato possa ser validamente renovado’ pelo presidente Jair Bolsonaro.

O novo chefe da PF, Alexandre Ramagem, cumprimenta o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado / Reuters

A insistência de Bolsonaro por Ramagem, seu amigo e de seus filhos, provoca mal estar e desconfiança na corporação. Afinal, ele nomeou Rolando Alexandre, mas não abre mão do barrado por Alexandre de Moraes. Delegados ouvidos pelo Estadão ponderam que a nova cúpula da instituição pode ficar insegura para iniciar sua gestão, vez que o presidente insiste o aliado que o acompanha desde que foi eleito.

Leia a íntegra da mensagem de Rolando

Caros colegas servidores e colaboradores da Polícia Federal,

Hoje, no momento em que assumo a Direção Geral da Polícia Federal, quero compartilhar a minha especial satisfação por reencontrá-los e iniciar essa nova fase da minha carreira ao lado de cada um de vocês.

Todos os momentos que me trouxeram até aqui foram grandiosos em experiências e em ensinamentos. O início da carreira na região norte de nosso país, pelo qual boa parte dos nossos policiais passa, já evidenciava o quanto seria gratificante dedicar o meu esforço e dedicação em favor desta Corporação que nos orgulha e que é um patrimônio da sociedade brasileira.

Todas as missões que me foram confiadas foram importantíssimas, mas sem dúvida representar cada um dos senhores e senhoras que fazem, diariamente e de forma exemplar, a história da nossa corporação é indiscutivelmente o maior de todos os desafios.

Quis o destino que na gestão que ora se inicia, além dos compromissos naturais a serem assumidos à frente da PF, fosse contemporânea a uma situação inédita na sociedade global contemporânea. Não há parâmetros para dimensionar as dificuldades que vamos enfrentar, mas estou convicto de que, juntos, vamos vencer.

Sabemos muito bem que o crime não retrocede e nem recrudesce. Pelo contrário, nos momentos das maiores agruras humanas, a criminalidade tenta aproveitar-se das circunstâncias para perpetrar ainda mais injustiças e para garantir maiores lucros. Enfrentaremos com coragem e destemor.

Combater o crime, nos seus mais variados modais, como corrupção, tráfico de drogas e armas, crimes ambientais, previdenciários e tantos outros, será missão diária e que buscaremos incansavelmente.

Sei da grandeza de espírito que move historicamente a nossa Polícia Federal e da competência e da expertise dos integrantes dos nossos quadros. O maior patrimônio da Polícia Federal é o seu capital humano.

A Polícia Federal é um corpo único e com grande consciência institucional.

Conto com todos vocês. Somos fortes na linha avançada.

Muito obrigado.

Rolando Alexandre de Souza

Diretor-Geral da Polícia Federal

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