Engenheiro nega ser ‘emissário’ de propina na Petrobrás

Shinko Nakandakari, acusado pela Galvão Engenharia como intermediário de pagamento de R$ 8,3 milhões, quer depor na Lava Jato

Redação

25 de novembro de 2014 | 13h24

Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

O engenheiro Shinko Nakandakari, apontado pela Galvão Engenharia como suposto “emissário” da Diretoria de Serviços da Petrobrás no esquema de propinas e corrupção na estatal, quer depor nos autos da Operação Lava Jato.

Por meio de seus advogados, Shinko Nakandakari formalizou em petição entregue à Justiça Federal em Curitiba – base da Lava Jato – sua disposição em “colaborar com as investigações em tudo o que for necessário”.

O engenheiro foi acusado pela defesa do executivo Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia. Os advogados da Galvão Engenharia sustentam que a empreiteira pagou R$ 8,3 milhões em propina, de 2010 a 2014, a um “emissário” da Diretoria de Serviços da Petrobrás.

De acordo com a versão da defesa do executivo da Galvão Engenharia, ele teria sido ameaçado por Shinko Nakandakari, “pessoa que se apresentou como emissário da Diretoria de Serviços da Petrobrás na presença de Pedro Barusco”.

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Ex-gerente executivo da Diretoria de Serviços, Barusco fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal em que se comprometeu a devolver cerca de US$ 100 milhões e contar o que sabe sobre a trama de malfeitos na estatal.

No documento encaminhado à Justiça Federal, a defesa de Erton Fonseca alega que os pagamentos foram feitos pela Galvão Engenharia para contas da LFSN Consultoria, empresa que o executivo diz ter sido indicada por Shinko Nakandakari e para a qual teria sido obrigado a fazer os repasses a título de propina.

Os advogados Pedro Luiz Bueno de Andrade e Rogério Fernando Taffarello, que representam Shinko Nakandakari, afirmam na petição entregue à Justiça Federal que a versão da defesa da Galvão Engenharia “não corresponde à verdade”.

“Shinko Nakandakari precisa ser ouvido pelas autoridades a fim de trazer os fatos de volta à realidade”, anotam os advogados Bueno de Andrade e Tafarello.

A defesa do engenheiro requereu cópia integral dos autos da investigação, “notadamente do depoimento prestado por Erton Medeiros Fonseca e de tudo o mais que envolva o seu nome (Shinko Nakandakari), a fim de que possa ter ciência de todos os fatos e, ainda, prestar às autoridades os esclarecimentos necessários”.

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