Engenheiro, alvo da Abismo, confessa propinas de empresa que atuou em obra do Cenpes

Engenheiro, alvo da Abismo, confessa propinas de empresa que atuou em obra do Cenpes

Edson Coutinho revelou à PF ter realizado duas entregas de caixas com dinheiro para intermediário de valores ilícitos na Diretoria de Serviços da Petrobrás

Mateus Coutinho e Julia Affonso

09 de agosto de 2016 | 05h00

Cenpes. Foto: Divulgação

Cenpes. Foto: Divulgação

O engenheiro civil Edson Coutinho, um dos alvos da Operação Abismo, 31ª fase da Lava Jato que investiga a suspeita de propina de R$ 39 milhões nas obras do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), admitiu à Polícia Federal ter entregue em duas ocasiões propina na residência do operador e lobista Mário Goes, que atuava como intermediário dos repasses ilícitos na Diretoria de Serviços da Petrobrás.

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Coutinho é o único alvo da operação que admitiu o pagamento de propinas de uma das empresas que integrava o Consórcio Novo Cenpes, que acabou fechando o contrato com a Petrobrás para tocar a obra, em 2008. Ele é apontado pelos investigadores da Lava Jato como o responsável por repasses de propinas.

OS DEPOIMENTOS DOS ALVOS DA ABISMO:

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Edson Coutinho, que atuou na Construtora Schahin para os contratos da empreiteira com a Petrobrás de 2005 a 2014, relatou que as entregas foram feitas por ordem de seu superior, o então diretor de Engenharia da empresa, Edenir Veiga (já falecido). Os pagamentos, que ele não detalhou os valores nem em relação a quais obras ocorreram, foram feitos após as discussões ‘técnicas’ que a Schahin manteve com outras empresas do Consórcio Novo Cenpes.

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Segundo o engenheiro, que diz estar desempregado, ele e Mario Góes tinham um ‘amigo em comum’ e, por isso, acabou conhecendo o operador de propinas, com quem alega ter se encontrado em jogos de golfe. Em um desses encontros, relatou, Goes lhe teria dito sobre as propinas que recebia na Petrobrás. “Ele disse que tinha comissão de percentual em cima das obras e que essa parte se destinava à ‘casa’; que o declarante disse que não tinha autonomia para discutir esse assunto com ele”, depôs Coutinho.

O ex-funcionário da empreiteira afirmou então que teria pedido a Mário Goes para discutir o assunto com seu superior Edenir. A partir de então, o engenheiro relatou duas entregas que afirma ter realizado na casa de Mário Góes a pedido de seu superior. A primeira teria sido de uma caixa, que ele posteriormente descobriu ter dinheiro dentro.

“Ai eu voltei (para a Schahin) e fiquei sabendo que era alguma coisa de vantagem, que era dinheiro. Aí eu disse para o Edenir que não ia mais fazer aquilo. Que eu era pago para ser engenheiro, e não ia mais fazer aquilo”, disse. Apesar disso, em outra oportunidade Coutinho entregou mais uma vez dinheiro na residência de Góes.

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“Que não abriu ou mesmo contou os valores existentes no pacote; que depois da segunda vez, disse a Edenir que nunca mais faria aquilo; que não sabe a quem especificamente foram destinados aqueles recursos recebidos por Mário Góes”, afirmou..

O próprio Góes admitiu, em seu acordo de delação premiada, ter atuado como operador de propinas, intermediando os repasses ilícitos de empreiteiras para funcionários da diretoria de Serviços da Petrobrás, cota do PT no esquema de corrupção na estatal.

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COM A PALAVRA, A SCHAHIN:

Procurada, a Schahin ainda não se manifestou sobre o caso.

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