Enfermeira é demitida por justa causa após injeção por cima da calça de paciente

Enfermeira é demitida por justa causa após injeção por cima da calça de paciente

Desembargadores do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região (São Paulo) julgam improcedente pedido de profissional para reverter sua demissão de hospital

Luiz Vassallo

06 de dezembro de 2017 | 05h00

Foto: Pixabay

A 6ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região julgou improcedente pedido de uma enfermeira para reverter sua demissão por justa causa do hospital aonde trabalhou em razão de ter aplicado uma injeção por cima da calça de um paciente. Segundo o relator do caso na Corte, ela colocou a vida do homem em risco.

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As informações são do site do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo).

A enfermeira foi demitida após aplicar um medicamento injetável por cima da roupa do paciente. O hospital afirmou que, ao aplicar a medicação sem qualquer assepsia, a enfermeira cometeu ‘falta grave, além de infringir o código de ética de enfermagem’.

De acordo com a enfermeira, o procedimento ‘foi necessário tendo em vista que o enfermo estava extremamente agressivo e estava sendo segurado por quatro pessoas, dentre elas seu superior hierárquico, que deu a ordem para aplicar a medicação’.

Ela disse ainda que ‘o chefe assentiu que a aplicação fosse feita por cima da calça jeans que o paciente usava, não a impedindo ou repreendendo antes da efetivação do ato’.

Para o perito judicial que atuou na causa, o procedimento adotado pela enfermeira ‘sem qualquer dúvida é intolerável’.

Além disso, o perito relatou que ‘não é recomendável a aplicação de injeção sobre a vestimenta, mesmo em situações limítrofes, sem qualquer assepsia, em decorrência da possibilidade de ocorrer aparecimento de moléstias, tanto virais como bacterianas’.

Segundo depoimento de uma testemunha, o paciente estava tão inquieto ‘que ficava pulando na cadeira a ponto de quebrá-la’.

Outra testemunha confirmou que o paciente estava ‘muito agitado’, todavia disse que ‘seria possível proceder a retirada da calça do paciente para assepsia e aplicação da injeção intramuscular’.

O superior hierárquico da enfermeira declarou que não viu a injeção sendo aplicada sobre a vestimenta porque a enfermeira estava atrás dele. Relatou, ainda, que ‘ficou estarrecido com a situação e externou sua irresignação profissional de imediato levando, ato seguinte, relatório a seus superiores’.

Na sentença, o juízo considerou válida a justa causa aplicada e destacou que a ‘situação narrada nos autos é grave, capaz de gerar grande estresse para os envolvidos’.

“Contudo, espera-se de um profissional experiente como a autora, com mais de 10 anos de atuação só nesta empresa, calma e profissionalismo para lidar com situações desta natureza”, assinalou o magistrado.

Pretendendo a reforma da decisão que julgara os pedidos totalmente improcedentes, a enfermeira interpôs recurso ordinário. No acórdão, de relatoria do desembargador Antero Martins, a 6.ª Turma do TRT da 2.ª Região entendeu que a gravidade da conduta da empregada ‘é patente, mesmo em situações limítrofes, pois colocou em risco a vida do paciente’.

Os magistrados avaliaram que a enfermeira não comprovou a alegação de que o superior hierárquico teria aprovado sua atitude. “Restou confirmada a conduta imprudente da autora e, por outro lado, não ficou caracterizada a omissão, negligência ou concorrência do superior hierárquico.”

A Turma considerou devida a manutenção da justa causa.

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