Enem digital é só o início e como melhorar a segurança das provas

Enem digital é só o início e como melhorar a segurança das provas

Luiz Alexandre Castanha*

23 de janeiro de 2021 | 13h00

Luiz Alexandre Castanha. FOTO: DIVULGAÇÃO

Pela primeira vez em sua história o Enem será realizado digitalmente. Nesta edição de estreia serão 96 mil candidatos que farão as provas nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. Os planos do Inep são de os números crescerem a cada ano, substituindo 100% das provas impressas em 2026.

Em 2019, em meio à uma crise que ameaçou a não realização do exame, eu já havia falado sobre esse assunto. Apontei que, com as tecnologias e níveis de seguranças certos, o exame que em 2020 avalia 5,78 milhões de inscritos poderia ser sim feito online.

E que bom que a tecnologia está vencendo! Nesta primeira experiência apenas a prova de redação será feita de maneira tradicional e, visando a segurança, não será possível fazer a prova em casa – será necessário o deslocamento até um dos locais de aplicação do exame.

Se até o Enem, maior exame do Brasil, pode ser realizado digitalmente, por que instituições educacionais e empresas também não podem se beneficiar desse tipo de tecnologia? Em tempos de pandemia e distanciamento social, poderia ser a solução.

A questão é seguir, à risca, algumas dicas e práticas de segurança, algumas delas inclusive já colocadas em prática pelo Inep. Veja:

1- Navegador seguro

A tecnologia de navegador seguro evita que os usuários abram qualquer outra janela durante o processo de exame online. O usuário tem permissão para acessar apenas a janela de exame.

O acesso aos atalhos do teclado para copiar, colar e captura de tela é totalmente impedido. Algumas ferramentas, inclusive, mostram um aviso caso alguma ação suspeita seja realizada. Todas essas mensagens podem ser registradas. Em caso de 3 ou mais avisos, o exame online do usuário pode ser suspenso.

2- Exames inteligentes

O processo de exame online inclusive pode ser automatizado, permitindo que um supervisor não esteja presente. Isso abre portas para que uma prova seja feita no computador do próprio candidato. Existem quatro processos principais que zelam pela segurança:

  • Captura de imagem: Um sistema captura imagens do candidato em intervalos determinados (por exemplo, 30 segundos). Ajuda a identificar e prevenir que outra pessoa faça o exame;
  • Streaming de vídeo: Também é possível gravar e transmitir um vídeo do candidato, mostrando em tempo real seu comportamento e reações. É bastante útil para evitar que ele olhe para o lado buscando respostas em um tablet ou smartphone, por exemplo;
  • Captura de tela: A fiscalização pode ser feita até mesmo tirando screenshots das telas do acesso atual;
  • Captura de voz: Outro recurso é a gravação do ambiente onde o candidato faz a prova, verificando se ele conversou e interagiu com outras pessoas buscando respostas.
  1. Criptografia de dados

A criptografia de dados desempenha um papel importante na prevenção de acesso não autorizado às provas, como também ajuda a evitar a manipulação de resultados sem credenciais válidas. É uma característica vital para garantir a segurança do exame.

Toda a comunicação entre o servidor, os computadores que as provas são realizadas e corrigidas precisam ser criptografadas com um modo seguro de comunicação. E, para isso, algoritmos de alto nível precisam ser usados para codificar os dados que não podem ser decodificados facilmente. Isso garante a confidencialidade de toda a operação.

4- Registros para auditoria

Alguns sistemas são capazes, inclusive, de fornecerem recursos de registro de auditoria onde atividades como login, logout, acesso ao exame, navegação de perguntas, respostas de respostas, etc. são registradas.

O sistema também registra detalhes de atividades como alterações de seção e velocidade da Internet. Ao usar técnicas como geotagging é possível, inclusive, rastrear a localização exata do usuário durante a atividade.

A segurança durante os exames online é um dos fatores críticos de sucesso. Empregar as melhores práticas É mais do que necessário para evitar fraudes. Que tal começar a pensar em um projeto do tipo na sua empresa ou instituição de ensino?

*Luiz Alexandre Castanha é administrador de empresas com especialização em Gestão de Conhecimento e Storytelling aplicado à Educação. Atua em cargos executivos na área de Educação há mais de 10 anos e é especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais

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