‘Empréstimo foi totalmente assumido pelo PT”, diz amigo de Lula

Pecuarista José Carlos Bumlai afirmou ao juiz federal Sérgio Moro que foi procurado em 2004 para fazer operação financeira fraudulenta de R$ 12 milhões para o partido para o segundo turno da campanha; ele isentou o ex-presidente de responsabilidades no episódio

Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Ricardo Brandt

30 de maio de 2016 | 21h05

bumlaiinterrogatorio

O pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, afirmou à Justiça Federal que o PT “assumiu totalmente” o empréstimo de R$ 12 milhões, tomado de forma fraudulenta em 2004, em seu nome, no Banco Schahin. A Operação Lava Jato descobriu que o valor nunca foi pago pelo partido e que o negócio foi compensado ao grupo empresarial com um contrato de US$ 1,6 bilhão, na Petrobrás, cinco anos depois.

“O empréstimo foi assumido pelo PT, totalmente assumido pelo PT”, declarou Bumlai. O pecuarista foi ouvido nesta segunda-feira, 30, pela primeira vez pelo juiz federal Sérgio Moro, dos processos da Lava Jato, em Curitiba. Ele isentou Lula de responsabilidades no episódio.

O amigo de Lula é réu nessa ação penal, em fase final. Ele foi preso em novembro de 2015, alvo da 21ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Livre Acesso. Ele passou a cumprir prisão domiciliar em março, por problemas de saúde.

O pecuarista afirmou a Moro que “nunca esteve no banco solicitando esse empréstimo”. Questionado qual o motivo da retirada, Bumlai afirmou que “eles precisavam de um dinheiro para o segundo turno das eleições de 2004”.

Bumlai contou as circunstâncias em que o negócio foi realizado e atribuiu ao então presidente do Banco Schahin Sandro Tordin, ao tesoureiro do PT Delúbio Soares, ao prefeito cassado de Campinas (SP) Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), e aos marqueteiros Armando Peraldo e Giovanni Favieri – de Campo Grande (MS), ligados ao ex-governador Zéca do PT.

“Estava em São Paulo quando recebi um telefona de um amigo, que eram três, Giovani, Armando e Sandro Tordin para que desse uma chegada até o Banco Schahin”, contou Bumlai.

“Fui lá e me deparei na cabeceira com o candidato a prefeito de Campinas doutor Hélio, à direita dele seu Delúbio Soares, depois seu Carlos Eduardo Schahin, uma cadeira vaga em que me sentei, e o Sandro, o Armando e o Giovanni.”

O pecuarista afirmou a Moro que “nunca esteve no banco solicitando esse empréstimo”. Questionado qual o motivo da retirada, Bumlai afirmou que “eles precisavam de um dinheiro para o segundo turno das eleições de 2004”.

Vaccari. O amigo de Lula confirmou a Moro ainda que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto também participou do negócio, numa segunda fase em que foi acertada a quitação do empréstimo. Segundo ele, não lhe foi dito que um contrato da Petrobrás quitaria a dívida com o banco.

Ele também rebateu afirmações de delatores ligados ao Grupo Schahin, que disseram que o negócio de empréstimo e sua quitação estaria “abençoados” pelo ex-presidente Lula.

Defesa. O PT informou que nunca realizou empréstimo com o Banco Schahin e que todas as doações recebidas são legais e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

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