Empresas zumbis

Empresas zumbis

Frank Koji Migiyama*

02 de novembro de 2021 | 07h30

Frank Koji Migiyama. FOTO: DIVULGAÇÃO

Empresas zumbis surgem durante crises políticas, econômicas e pandêmicas como temos enfrentado atualmente. De forma geral, são aquelas que não conseguem atingir ponto de equilíbrio, deixando a grande maioria das obrigações financeiras em aberto, estejam em processo de recuperação judicial ou não.

Diante do cenário atual, vemos uma retomada desafiante, além do aumento do estresse financeiro. Com uma média anual em torno de 1300 pedidos de recuperação judicial no período entre 2015 e 2020, vemos o aumento de companhias com dificuldades e, consequentemente, a falta de geração de renda e empregos no País.

Mas como encontrar uma solução prática e eficiente? A Gestão Interina é um caminho, já que seu uso traz uma reestruturação positiva para as empresas. Além disso, a iniciativa transmite grande credibilidade, por se tratar de um outro interlocutor para conversar com os bancos e credores, por exemplo.

No entanto, vemos a aplicação da Gestão Interina ainda tímida, se comparada com a atuação que o mesmo método alcança fora do Brasil. O motivo? Os empresários, em sua maioria, costumam enfrentar os ciclos de crises com muitas dificuldades e desafios que poderiam ser menos árduos, caso optassem por deixar o barco ser direcionado por outros agentes de gestão de turnaround | inovação | reestruturação.

As organizações que buscam consultorias durante a Recuperação Judicial têm colhido bons frutos. No segundo semestre de 2020, por exemplo, uma empresa atuante no segmento de transporte há mais de 60 anos, que expandiu suas atividades estrategicamente em diferentes estados de forma a atender todo o território nacional, protocolou o pedido de Recuperação Judicial, que foi deferido no mesmo período.

Neste momento, assumimos a gestão interina da organização. No primeiro estágio, com o propósito de entender as fragilidades organizacionais, adotamos medidas gerenciais destinadas a estancar sangramentos operacionais e financeiros e melhorar a governança corporativa da companhia.

Com um diagnóstico empresarial que demonstraram os pontos de ineficiência e a viabilidade econômico-financeira, o foco foi na revisão do plano de recuperação inicialmente estabelecido e ações de reestruturação.

Já no segundo estágio, foram efetivadas as adequações na estrutura organizacional e executados projetos pontuais de melhorias, assim como adotadas e implantadas melhores práticas de mercado. As ações conduzidas nesse estágio resultaram na retomada do crescimento do faturamento e na geração de fluxos de caixa positivos.

O terceiro estágio, por sua vez, conjugou as expectativas dos credores e organização como um todo, teve como destaque a formação das pessoas para conduzir o processo de transformação. Como o principal resultado, foi obtida a aprovação massiva do plano de recuperação judicial por parte dos credores, selando a credibilidade, seriedade e percepção de valor do trabalho executado.

Em todo o processo, prezamos pela eficiência e melhores condições de pagamento para os credores, além de reestruturar processos para que a recuperanda tenha a mínima governança corporativa e cumpra suas obrigações legais num processo de recuperação judicial.

Com o processo de recuperação judicial conduzido em conjunto, tanto pela Administradora judicial que fiscaliza a legalidade do processo de recuperação como pela Gestora Interina que gere as empresas no dia a dia, a probabilidade de sucesso com base no caso é maior que se deixado nas mãos dos antigos administradores que estão nos conselhos consultivo e de família que estruturamos. Da mesma forma, a atuação da gestora com a devida credibilidade no mercado possibilita melhores condições de trazer recursos no formato de DIP (Debt In Possession) para a recuperanda.

Por fim, a Recuperação Judicial demanda uma atuação multidisciplinar para que obtenha sucesso esperado: turnaround dos negócios; cumprimento do plano de recuperação e da função social; geração de empregos e, acima de tudo, o resgate da saúde financeira do País.

*Frank Koji Migiyama é sócio-fundador da consultoria empresarial FKConsulting.PRO

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