‘Empresas nacionais tiveram relação promíscua e de total dependência com o governo e políticos’, dizem promotores linha dura a Toffoli

‘Empresas nacionais tiveram relação promíscua e de total dependência com o governo e políticos’, dizem promotores linha dura a Toffoli

MP Pró-Sociedade, que reúne promotores e procuradores em todo o País, reage ao presidente do Supremo que, em entrevista ao 'Estadão', afirmou que a Lava Jato destruiu empresas e que isso não aconteceria nos EUA e na Alemanha

Fausto Macedo e Pedro Prata

16 de dezembro de 2019 | 17h55

O MP Pró-Sociedade, entidade que reúne promotores e procuradores da linha dura, reagiu com veemência ao ministro Dias Toffoli, do Supremo, que, em entrevista ao Estadão, afirmou que a Operação Lava Jato destruiu empresas e que isso não aconteceria nos Estados Unidos e na Alemanha. O ministro cobrou mais transparência do Ministério Público.

Promotores linha-dura rebateram fala de Dias Toffoli sobre a Lava Jato. Foto: Gabriela Biló/Estadão

“Empresas nacionais tiveram uma relação promíscua e de total dependência com o governo e políticos variados”, afirma o MP Pró-Sociedade. “A corrupção e a lavagem de dinheiro alcançaram níveis absurdos e foram institucionalizadas praticamente como política de Estado.”

Em nota de repúdio ‘aos novos ataques à Lava Jato’, o principal reduto dos promotores radicais ironiza Toffoli. “É engraçado que se queira atacar o remédio eficaz e que pouco se ligue para a grave doença…”

O MP Pró-Sociedade ataca um outro trecho da entrevista de Toffoli, em que ele aborda a transparência do Ministério Público. “Também é curioso que se pretenda falar em transparência e se instaure um inquérito como o das ‘fake news'”, anotam os promotores, em alusão à polêmica investigação sigilosa do Supremo que mira críticos dos ministros nas redes sociais.

Para os promotores que se insurgiram contra as declarações de Toffoli, ‘isso (inquérito sigiloso) é o que jamais aconteceria nos Estados Unidos e na Alemanha’.

“A complacência com tais comportamentos e a consequente impunidade também não: nisto, a Lava Jato nos fez Primeiro Mundo.”

A nota de repúdio transcreve post do secretário de Direitos Humanos da Procuradoria-Geral da República Ailton Benedito. “Quem destruiu empresas foram os corruptos que as utilizaram como instrumento para tomar o Brasil de assalto.”

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DE REPÚDIO DO MP PRÓ-SOCIEDADE A TOFFOLI

“Nota de Repúdio aos novos ataques à Lava Jato

O MP Pró-Sociedade repudia as afirmações do presidente do STF, que disse que a Lava Jato destruiu empresas brasileiras e que isso não aconteceria em países como Estados Unidos e Alemanha.

Empresas nacionais tiveram uma relação promíscua e de total dependência com o governo e políticos variados. A corrupção e a lavagem de dinheiro alcançaram níveis absurdos e foram institucionalizadas praticamente como política de Estado. É engraçado que se queira atacar o remédio eficaz e que pouco se ligue para a grave doença… Também é curioso que se pretenda falar em transparência e se instaure um inquérito como o das ‘fake news’.

Isso é o que jamais aconteceria nos Estados Unidos e na Alemanha.

A complacência com tais comportamentos e a consequente impunidade também não: nisto, a Lava Jato nos fez Primeiro Mundo.

‘Quem destruiu empresas foram os corruptos que as utilizaram como instrumento para tomar o Brasil de assalto.’ (Ailton Benedito)”

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