‘Empresas ludibriavam órgãos de controle’, diz PF

‘Empresas ludibriavam órgãos de controle’, diz PF

Grupo alvo da Operação Fantoche que, desde 2002, recebeu pelo menos R$ 400 milhões por meio de convênios com o Ministério do Turismo e entidades do Sistema S, fazia 'licitações' com uso de pessoas jurídicas de fachada

Fabio Serapião / RECIFE

19 de fevereiro de 2019 | 13h04

Agentes da PF durante operação no Recife. FOTO: MARLON COSTA/FUTURA PRESS

O grupo de empresas alvo da Operação Fantoche realizava ‘licitações’ com participação de empresas de fachada com o objetivo de dar aparência legal ao desvio de dinheiro do Ministério do Turismo e de entidades do Sistema S. A ação deflagrada nesta terça-feira, 19, conta com o apoio do Tribunal de Contas da União (TCU) e com a participação de 213 policiais federais.

A Justiça Federal decretou a prisão de dez investigados da Fantoche, entre eles o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Andrade. Ele deverá ficar preso em regime temporário por cinco dias.

O esquema, segundo a PF, funcionava da seguinte forma: o Ministério do Turismo e entidades do Sistema S, como o Sesi, repassavam valores para organizações não governamentais sem fins lucrativos.

Essas organizações, por sua vez, realizavam uma ‘licitação’ para escolha de empresas prestadoras de serviços como projetos de ciclagem, eventos de promoção de Pernambuco em outros estados e projetos culturais.

A Aliança Comunicação e Cultura, principal alvo da Fantoche, sob o controle de um mesmo núcleo familiar, atuava desde 2002 executando contratos firmados por meio de convênios com o Ministério do Turismo e entidades paraestatais do intitulado Sistema S.

Estima-se que o grupo já tenha recebido mais de R$ 400 milhões decorrentes desses contratos.

Segundo o delegado Renato Madsen, chefe da Delegacia de Combate ao Crime Organizado (Delecor), foi possível identificar certa facilidade do grupo criminoso em obter recursos para promover culturalmente o estado e ao invés de aplicar esse valores nos eventos desviavam parte para os integrantes do esquema.

Para Madsen, o grupo conseguia ludibriar a fiscalização e dificultar trabalho dos órgãos de controle simulando uma licitação. A empresa escolhida por meio da contratação fraudulenta, segundo o delegado, recebia altos valores e somente parte ficava com o evento em si e o restante ficava com as empresas do esquema, entre elas, a Aliança.

Segundo a delegada Heloísa Albuquerque, responsável pela investigação, em alguns casos investigados a ‘licitação’ era fictícia e contava com a participação de empresas ligadas ao grupo criminoso. Após essa escolha, essas entidades ficavam com parte dos valores e repassam o restante para as empresas executoras como a Aliança.

Lista de presos

Francisco de Assis Benevides Gadelha – presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep) e um VP da CNI.
Ricardo Essinger – presidente da Fiepe
Robson Braga de Andrade – presidente CNI
Júlio Ricardo Rodrigues Neves – empresário, sócio da Idea Locação de Estruturas e Iluminação
Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva – Aliança Comunicação.
Luiz Antônio Gomes Vieira da Silva – ligada a Aliança
José Carlos Lyra de Andrade – presidente da Federação das Indústrias de Alagoas (FIEA)
Lina Rosa Gomes Vieira da Silva- ligada à Aliança Comunicação
Hebron Costa Cruz de Oliveira – advogado e presidente do Instituto Origami.
Jorge Tavares Pimentel Junior – empresário sócio da empresa Neves e Silva Produção

COM A PALAVRA, CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA

“A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem conhecimento de que o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade, está na Polícia Federal, em Brasília, prestando esclarecimentos sobre a operação deflagrada na manhã desta terça-feira (19/2). A CNI não teve acesso à investigação e acredita que tudo será devidamente esclarecido. Como sempre fez, a entidade está à disposição para oferecer todas as informações que forem solicitadas pelas autoridades.”

COM A PALAVRA, FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE ALAGOAS (FIEA)

“A Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (Fiea) tem conhecimento de que o presidente da entidade, José Carlos Lyra de Andrade, está na Polícia Federal, em Brasília, prestando esclarecimentos sobre a operação deflagrada na manhã desta terça-feira (19/02). A Fiea não teve acesso à investigação e acredita que tudo será devidamente esclarecido. Como sempre fez, a entidade está à disposição para oferecer todas as informações que forem solicitadas pelas autoridades.”

COM A PALAVRA, ALIANÇA COMUNICAÇÃO E CULTURA

“A Aliança Comunicação e Cultura reafirma seu compromisso em produzir projetos culturais com conteúdo de altíssima qualidade, e que têm se traduzido em sucesso de público e de crítica por quase 20 anos. Ao longo desse tempo, levamos o que há de melhor no mundo das artes para mais de 10 milhões de brasileiros, em todos os estados da federação e no Distrito Federal, sempre com acesso gratuito. Reforçamos, ainda, que todos os nossos projetos passam por auditorias internas e externas, sem qualquer tipo de restrições quanto a qualidade e a entrega de TODOS os itens contratados. Nesse momento, estamos nos empenhando ao máximo para esclarecer todos os questionamentos levantados pela Polícia Federal. É do nosso maior interesse que tudo seja elucidado o mais rápido possível.”

COM A PALAVRA, ATELIÊ PRODUÇÕES ARTÍSTICAS

“O Ateliê Produções, empresa pernambucana com 17 anos de atuação no mercado audiovisual brasileiro, esclarece que tem entre os seus clientes a Aliança Comunicação, para a qual presta serviços de audiovisual desde 2004, tendo realizado neste período diversos trabalhos, de projetos culturais a publicitários. Todos estes serviços cumpriram rigorosamente os contratos firmados, cujas comprovações foram entregues nesta terça-feira (19) à Polícia Federal, no intuito de colaborar com a operação deflagrada pela mesma. A produtora, que tem uma vasta carteira de clientes, públicos e privados, além de inúmeras premiações como reconhecimento ao trabalho desenvolvido, manterá sempre abertos o seu portfólio, arquivos e qualquer outros dados que venham a ser úteis aos esclarecimentos buscados nessa ação.”

COM A PALAVRA, FECOMÉRCIO, SESC E SENAC

“O Sistema Fecomércio/Senac/Sesc em Pernambuco esclarece à opinião pública que nenhuma de nossas instituições está envolvida na Operação Fantoche, da Polícia Federal, que investiga um esquema de corrupção por meio de convênios com o Ministério do Turismo e algumas entidades do Sistema S. Vale lembrar que o Sistema S é composto por nove instituições corporativas voltadas ao treinamento profissional, pesquisa e assistência técnica e social. O Sistema Fecomércio/Senac/Sesc-PE reafirma que não praticou nenhum ato ilícito e não é citado ou investigado em nenhuma operação ou processo criminal.”

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: