Empresas investigadas por fraudes de R$ 60 mi participaram de mais de 6 mil licitações

Empresas investigadas por fraudes de R$ 60 mi participaram de mais de 6 mil licitações

Procuradoria aponta que 21 empresas que estão na mira da Operação Epagoge muitas vezes tinham os mesmos sócios e funcionavam nos mesmos endereços

Pedro Prata e Pepita Ortega

31 de janeiro de 2020 | 06h20

A Procuradoria identificou 6.677 processos de licitação eletrônicos que tiveram a participação simultânea de ao menos 21 empresas que foram alvo nesta quinta, 30, da Operação Epagoge por suposta fraude de R$ 60 milhões.

Foto: Polícia Federal

As investigações apontam para evidências de que empresas de um mesmo grupo atuam há vários anos ‘mediante ajuste’, prejudicando a concorrência em licitações, principalmente para a compra de aparelhos eletrônicos no âmbito federal.

Os procuradores identificaram que todas as empresas investigadas eram geridas por um mesmo núcleo. Muitas funcionavam no mesmo endereço e tinham os mesmos sócios.

Para a Procuradoria, estes são indícios das irregularidades. “Ao se candidatarem simultaneamente no mesmo certame, tinham o claro objetivo de viabilizar que uma delas se sagrasse vencedora, com a possibilidade de manipular os preços.”

Entre os investigados estão pai, mãe e filho de uma mesma família. Cada um ‘controlava’ uma empresa cada.

Em outras ocasiões, ex-funcionários e ‘laranjas’ atuavam nos processos licitatórios.

“As empresas concorreram muitas vezes nas mesmas licitações e, em um relevante número de casos, disputaram pelo mesmo item, sendo possível identificar vitórias e derrotas para todas elas. Tal conduta caracteriza fraude de licitação”, destaca a Procuradoria.

‘Operação Epagoge’

Entre 2010 e 2019, as empresas que formam o grupo sob investigação firmaram contratos com o Poder Público que somam R$ 60 milhões, indica a Controladoria-Geral da União.

Um efetivo de 75 policiais federais e 6 auditores da Controladoria cumpriu 22 mandados de busca e apreensão em Curitiba, Piraquara e Guaratuba (PR), Balneário Camboriú (SC), e em São Paulo.

A força-tarefa apreendeu seis veículos, celulares, notebooks e HDs.

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