Empresas humanas

Empresas humanas

Marcio Grazino*

22 de março de 2020 | 03h30

Marcio Grazino. FOTO: DIVULGAÇÃO

Há bastante tempo, as empresas de vanguarda assumiram que têm responsabilidade social. Além de gerar lucros, entenderam que a iniciativa privada deve promover o desenvolvimento econômico e o bem-estar da população, mesmo porque essa postura também beneficia os negócios. Já é ponto pacífico que o sucesso de uma empresa é proporcional à prosperidade da sociedade na qual está inserida.

A crise que estamos enfrentando, no entanto, demonstra que o envolvimento tem que ser ainda mais profundo e as empresas devem estar dispostas a ações extraordinárias. Nesses casos, mais do que sociais, as empresas têm que ser humanas.

A humanidade oferece empatia às organizações, que nada mais é do que a capacidade de se colocar no lugar do outro, sobretudo das pessoas em dificuldade extrema. Nesse estado, empresários tomam decisões que sobrepõem o bem comum aos resultados empresariais por entenderem que o valor que precisa ser gerado naquele momento é outro e que a organização tem que estar do lado certo da história. Hoje, vivemos um momento como este.

Neste momento, todos os recursos devem ser direcionados para o combate à epidemia do novo coronavírus. Em primeiro lugar, é obrigação do gestor proteger a saúde da equipe e determinar uma rotina sem riscos. Da mesma maneira, garantir que o funcionamento da empresa não estimule a circulação do vírus.

Dentro da sua capacidade, contribuir no esforço coletivo. Bancos, por exemplo, anunciaram suspensão na cobrança de empréstimos, uma cervejaria vai produzir álcool em gel e os supermercados se comprometeram a vender o produto sem margem de lucro. Além de prestar uma colaboração relevante, essas empresas vão incluir em suas biografias que, naquele momento decisivo, estiveram do lado certo da história.

As empresa têm, é claro, que gerar lucros. É para isso que elas funcionam. Mas elas existem, em primeiro lugar, para tornar o mundo melhor. Estão aqui para satisfazer desejos, atender necessidades e oferecer evolução em todos os aspectos da nossa rotina. E, antes de tudo isso, concorrer para o bem-estar de todos.

Coloque humanidade nos seus negócios e vai perceber que talvez seja isso que esteja faltando para a sua empresa.

 * Marcio Grazino, empresário do setor de embalagens

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