Empresas da nova economia precisam de análise de crédito para além do extrato bancário

André Wetter*

15 de setembro de 2021 | 05h30

As empresas da nova economia, que unificam o online e o offline e focam especialmente na experiência do consumidor, são cada vez mais digitais. Isso fica muito claro quando falamos de e-Commerce e ainda mais claro com o período da pandemia de 2020/2021 que acelerou exponencialmente a digitalização de comércios de todos os segmentos e todas as regiões do País. Para se ter uma dimensão, só no primeiro trimestre do ano, o setor aumentou em 72% o seu faturamento, segundo pesquisa da Neotrust.

O segmento também cresceu em todas as regiões do país no começo do ano, segundo números da Synapcom – em alguns locais, como o Nordeste, esse aumento passou de 600%. Marketplaces como Magazine Luiza, Americanas e Mercado Livre (que já cresceu quase 200% durante a crise do Coronavírus) comprovam que o modelo digital não apenas veio para ficar como também para ser o principal canal de vendas de muitas empresas.

Com a digitalização da economia, as empresas vêm enfrentando novos desafios quando o assunto é financiar o crescimento de suas operações. O modelo de negócio é fortemente baseado em tecnologia, com computação em nuvem, por exemplo, que dá a capacidade de aumentar ou reduzir o uso de servidores conforme a demanda. Isso é muito melhor para a empresa como decisão estratégica, do que montar um data center próprio.

Bancos e financeiras tradicionais usam modelos de análise de crédito que, na maioria dos casos, se escoram em um ativo físico como garantia da operação. Imóveis, maquinário e frotas de veículos são as principais fontes de garantia. Ora, empresas digitais não possuem esses ativos porque eles simplesmente não fazem sentido para seu negócios e, por isso, contam com poucos ativos físicos para lastrear operações de crédito

A chegada do Open Banking pode melhorar esse cenário, dando mais opções aos empresários que poderão compartilhar suas informações com diversas instituições. Essa abertura não significa, necessariamente, uma mudança na análise de crédito. Acesso a mais informações ajuda, mas não é o bastante. É preciso olhar a empresa de maneira holística, usando todos os dados da empresa que sejam relevantes, não apenas o extrato bancário.

Aprender a avaliar as empresas levando em conta múltiplos pontos de dados, de fontes variadas e com pesos diferentes é o grande salto evolutivo na concessão de crédito. Essa análise deve ir além dos birôs tradicionais e levar em consideração não só o histórico financeiro como número de clientes, fluxo de caixa, histórico de vendas e por que não dados de redes sociais?

Uma loja que vende em diversas plataformas precisa ser avaliada com critérios super específicos e que não precisam, ou devem, se limitar à análise financeira. Outros fatores, como tráfego do site ou seguidores em redes sociais, talvez, podem fazer parte de um mix de dados que será levado em conta para se chegar a uma nota de risco muito mais próxima da realidade da empresa do que uma pontuação meramente financeira.

As fintechs já haviam antecipado esse movimento, identificado esse ‘déficit’ na análise de crédito para empresas da nova economia e trazendo soluções para além do extrato bancário utilizado por grandes bancos. As empresas digitais já começaram a entender que os dados que possuem sobre suas operações contam uma história muito mais favorável para o seu negócio e já é possível utilizar desde histórico de vendas até tráfego em redes sociais para conseguir melhores condições para capital de giro. A digitalização veio para ficar.

*André Wetter, confudador e presidente da fintech a55

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.