Empresário procurado na Carne Fraca se entrega à PF em Foz do Iguaçu

Empresário procurado na Carne Fraca se entrega à PF em Foz do Iguaçu

Nilson Umberto Sachelli Ribeiro, do Frigobeto, teve prisão decretada pelo juiz federal Marcos Josegrei, da 14ª Vara Federal, em Curitiba; magistrado mandou incluir na Interpol mandado de captura do pai do empresário

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Luiz Vassallo

21 Março 2017 | 15h39

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Atualizada às 19h04

Procurado na Operação Carne Fraca, o empresário Nilson Umberto Sachelli Ribeiro, ligado ao Frigobeto, vai se apresentar espontaneamente à Polícia Federal em Foz do Iguaçu na tarde desta terça-feira, 21. A informação foi dada pelos advogados Alexandre Crepaldi e Marcos Gimenez e confirmada em ofício da Polícia Federal ao juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal, em Curitiba, que decretou a prisão.

“Estamos apresentando (Nilson Umberto Sachelli Ribeiro), ninguém vai fugir”, afirmou Alexandre Crepaldi.

Documento

A decisão do juiz Marcos Josegrei da Silva, que autorizou as prisões na sexta-feira, 17, liga Nilson Umberto Sachelli Ribeiro e seu pai Nilson Alves Ribeiro ao Frigobeto Frigoríficos e Comércio de Alimentos Ltda.

Segundo a investigação, Nilson Umberto Sachelli Ribeiro negociou propina com o então chefe da Assessoria Parlamentar do Ministério da Agricultura Fábio Zanon Simão para abrir um abatedouro de cavalos. O pai também foi alvo de mandado de prisão preventiva na Carne Fraca. O delegado da Polícia Federal Maurício Moscardi Grillo, que comanda a Operação Carne Fraca, afirmou na sexta-feira que Fábio Zanon Simão negociou propinas de R$ 300 mil para abrir o abatedouro.

No fim da tarde desta terça, o magistrado mandou incluir o mandado de prisão contra Nilson pai na difusão vermelha oculta da Interpol, a Polícia Internacional.

Alexandre Crepaldi declarou que o pai Nilson Alves Ribeiro está na Europa, onde vive há 15 anos.

“Descabida (a inclusão na Interpol). Se for preso lá, nós temos correspondentes na Itália e tomaremos previdências cabíveis. Ele é cidadão italiano e está legal. Residente na Itália há mais de 15 anos. Não tem porque ele vir para o Brasil”, declarou.

O advogado Alexandre Crepaldi afirma que Frigobeto não é um frigorífico. “O nome é Frigobeto, mas não é frigorífico. É uma empresa de exportação de carne. Na verdade, estava arrendado desde 2011 para uma empresa chamado Oregon, que abatia carne”, declarou o criminalista.

Segundo o criminalista, pai e filho não são sócios do Frigobeto. “Vamos questionar a prisão do filho, porque entendemos que o decreto das duas prisões não tem fundamento”, afirmou o advogado. “Ele (o filho) estava ajudando a liberação para esse Oregon, porque ele tinha experiência na exportação desse tipo de carga.”

O criminalista refuta que Nilson Umberto Sachelli Ribeiro, o filho, tivesse planos de fugir para a Itália.

 

“Essa passagem de ida e volta para a Itália ele comprou praticamente 20 dias antes da deflagração da Carne Fraca para um show do Kiss que vai acontecer em maio ou junho. Ele e o irmão, ida e volta. Ou ele sabia, que é um absurdo isso, ou não compraria de volta. Se ele soubesse (da operação), por que o irmão teria comprado também?”, questiona o defensor.

 

 

 

 

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