Empresário ligado a Dirceu diz que saques de altos valores pagaram ‘casamento, lua de mel’

Empresário ligado a Dirceu diz que saques de altos valores pagaram ‘casamento, lua de mel’

Flávio Henrique Macedo, preso na 30.ª fase da Lava Jato, é um dos sócios da Credencial Construtora que teria repassado propinas a ex-ministro da Casa Civil

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

22 de junho de 2016 | 05h00

PR - LAVA JATO/OPERAÇÃO VÍCIO - POLÍTICA - Os empresários Eduardo Aparecido de Meira e Flávio Henrique Macedo, sócios da Credencial Construtora, que foram presos ontem (24) durante a 30ª fase da Lava Jato, são conduzidos para a realização de exames de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba, no Paraná, na manhã desta quarta-feira (25). Segundo as investigações, a construtora foi usada no repasse de propinas. 25/05/2016 - Foto: GIULIANO GOMES/ESTADÃO CONTEÚDO

Os empresários Eduardo Aparecido de Meira (no centro, à frente) e Flávio Henrique Macedo (no centro, atrás), sócios da Credencial Construtora. Foto: GiulianoGomes/Estadão Conteúdo

O empresário Flávio Henrique de Oliveira Macedo, um dos donos da Credencial Construtora Empreendimentos e Representações – principal foco da Operação Vício, 30ª fase da Lava Jato – declarou à Polícia Federal que realizou saques de altos valores, entre R$ 50 mil a R$ 90 mil, para cobrir despesas ‘com casamento, lua de mel’.

Flávio Macedo, preso preventivamente no dia 24 de maio, depôs na segunda-feira, 21, na Polícia Federal em Curitiba, base da Lava Jato. Ele foi questionado pelos investigadores sobre os saques em espécie que fazia com o sócio Eduardo Meira.

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Segundo a PF e a Procuradoria da República, a Credencial foi utilizada para viabilizar o pagamento de propina ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (Governo Lula) e seu irmão, o advogado Luiz Eduardo de Oliveira e Silva.

De acordo com as investigações, a Credencial recebeu mais de R$ 30 milhões, não declarou nenhum empregado, e os sócios sacaram na boca do caixa a maior parte dos recursos.

Em seu depoimento, Macedo disse, segundo registrou a PF. “Informou que realizou saques de altos valores, cerca de R$ 50 mil a R$ 90 mil, para arcar com despesas de construção de sua residência, que foi iniciada em 2007 e concluída em 2013, além de despesas com casamento, lua mel, etc.”

Para a força-tarefa da Lava Jato, há indicativos de que a Credencial é uma empresa de fachada. A sede declarada da empresa, no bairro do Sumaré, em São Paulo, é o endereço residencial de Eduardo Meira.

Os donos da Credencial foram os únicos presos da Operação Vício. Eduardo Aparecido de Meira e Flavio Henrique de Oliveira Macedo estão presos em Curitiba.

Segundo a PF, a companhia transferiu valores para o grupo político do PT que mantinha Renato Duque na Diretoria de Serviços da Petrobrás.

A Procuradoria sustenta que o irmão de Dirceu, advogado Luís Eduardo Oliveira e Silva, indicou ao lobista Julio Camargo a Credencial para fazer o repasse de propinas.

Segundo Julio Camargo, a propina de 25% para Dirceu saiu de um total de R$ 6,679 milhões, valor repassado “sem causa” para a Credencial.

A PF aponta ‘fortes indicativos’ da participação do ex-ministro da Casa Civil e de Renato Duque nos ilícitos. Ambos foram recentemente condenados pelo juiz federal Sérgio Moro a penas de 23 anos e 10 anos de prisão, respectivamente. A pena de Dirceu foi reduzida para 20 anos de prisão porque ele tem 70 anos de idade.

Renato Duque também já foi condenado em outras duas ações penais. A soma das sanções a ele aplicadas chega a 50 anos, 11 meses e 10 dias de prisão.

O criminalista Roberto Podval afirma que o ex-ministro Dirceu nunca recebeu propinas.

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