Empresário do cartel da Petrobrás vai devolver R$ 10 milhões

Augusto Mendonça Neto, da Toyo Setal, que fechou o sétimo acordo de delação premiada do caso, se comprometeu a entregar documentos sobre o conluio de empreiteiras na estatal

Redação

11 de novembro de 2014 | 17h38

 Por Fausto Macedo e Ricardo Brandt

O empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, que fechou o sétimo acordo de delação premiada na Operação Lava Jato, vai devolver R$ 10 milhões ao Tesouro a título de “multa indenizatória” por seu envolvimento no esquema de corrupção e propinas na Petrobrás. A soma foi acertada por Mendonça Neto com a força-tarefa de procuradores da República que investigam o cartel que grandes empreiteiras montaram para ter o monopólio de contratos bilionários de áreas estratégicas da estatal petrolífera.

Mendonça Neto é da Toyo Setal Empreendimentos, que integrou o cartel, segundo o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa.

O acordo que o empresário firmou prevê, basicamente, que revele tudo o que sabe, sem restrições, e que providencie documentos. Se condenado, será apenado com “prestação de serviços” e o pagamento dos R$ 10 milhões.

Mendonça Neto é o sétimo alvo da Lava Jato a fechar valores de multa no âmbito das delações.

Outros investigados já aceitaram devolver recursos bem mais elevados ao Tesouro. Julio Camargo, que agia em nome da Toyo Setal, se comprometeu a pagar R$ 40 milhões. Camargo era o controlador de três empresas – Piemonte, Auguri e Treviso-, pelas quais transitaram dinheiro do doleiro Alberto Youssef, parceiro do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa.

O ex-diretor já fez delação premiada e apontou os nomes de pelo menos 32 parlamentares que teriam sido beneficiados pelo esquema de propinas na Petrobrás. O acordo de Costa foi homologado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). O executivo aceitou pagar R$ 70 milhões. Costa abriu mão dos ativos que mantêm no exterior.

Até aqui foram localizados US$ 23 milhões de Costa em cinco contas na Suíça e US$ 2,8 milhões de sua mulher e das duas filhas do casal no paraíso fiscal de Cayman. Dentro do acordo do ex-diretor da Petrobrás a mulher e as filhas fizeram delações acessórias.

Alberto Youssef está prestando depoimentos. Seu acordo ainda não foi submetido ao STF. O doleiro se dispõe a pagar R$ 55 milhões.

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