Empresa ligada a Vargas declarou receita de R$ 125 milhões

Relatório do Fisco aponta 'expressiva movimentação comercial e bancária' entre 2012 e 2013 da IT7 Soluções, contratada da Caixa, do Serpro e órgãos públicos das áreas de energia e telecomunicações

Redação

13 Abril 2015 | 04h50

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

Uma das empresas usadas pelo ex-deputado federal petista André Vargas (sem partido-PR), para recebimento de R$ 2,3 milhões do doleiro Alberto Youssef, a IT7 Soluções, declarou receita de R$ 125 milhões entre 2012 e 2013. A IT7 tem contratos milionários com a Caixa Econômica Federal e outros órgãos de governo.

O uso da IT7 para recebimento de propina foi um dos quatro motivos que levaram a Operação Lava Jato pedir a prisão do ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados no âmbito da 11.ª etapa da investigação, denominada ‘A Origem’.

André Vargas foi preso nesta sexta-feira. Foto: AlbariI Rosa/AGP

André Vargas foi preso na sexta-feira. Foto: AlbariI Rosa/AGP

A Receita Federal aponta “expressiva movimentação comercial e bancária” ao analisar as fontes pagadoras da IT7 Soluções. ‘A Origem’ foi deflagrada na última sexta feira, 10, e levou à prisão três ex-deputados federais – Vargas, Luiz Argôlo (SD/BA) e Pedro Corrêa (PP/PE), todos sob suspeita de ligações com o doleiro Alberto Youssef, peça central da Lava Jato, de quem teriam recebido somas alentadas em propinas.

Essa nova fase da apuração mira contratos de publicidade da Caixa Econômica Federal e do Ministério da Saúde que supostamente teriam favorecido André Vargas para lavagem de dinheiro. Fontes oficiais indicam que o Ministério da Saúde pagou R$ 110 milhões para a agência de publicidade Borgh Lowe, entre 2011 e 2014. Os investigadores suspeitam da ocorrência de lavagem de valores porque os pagamentos à agência eram direcionados a empresas controladas por André Vargas.

Relatório da Receita Federal, anexado aos autos da Lava Jato, chama atenção para o fato de que é possível observar que entre os principais clientes da IT7 estão “entes públicos, empresas públicas e estatais federais e estaduais”. O relatório destaca, além da Caixa, o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). E lista ainda: dois órgãos da área de energia, a Câmara de Comércio de Energia Elétrica (CCEE) e a Companhia de Eletricidade do Acre, dois órgãos estaduais do Paraná, Companhia de Tecnologia da Informação do Paraná (Celpar) e a Secretaria da Fazenda, e no Distrito Federal, a Tribunal de Justiça.

Desde fevereiro deste ano, a IT7 Soluções mudou de nome. Depois de uma alteração no seu registro, passou a se chamar CMSD Tecnologia Ltda. O documento da Receita aponta que entre suas contratantes boa parte são empresas do setor de telecomunicações.

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