Empresa de Dirceu era recebedora de pixuleco, aponta Lava Jato

"Em todo tempo até hoje não há sequer uma comprovação de serviços prestados pela JD", segundo o delegado da Polícia Federal Márcio Anselmo

Redação

03 de agosto de 2015 | 11h42

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Foto: Dida Sampaio

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

A empresa de consultoria do ex-ministro José Dirceu, preso nesta segunda-feira, 3, na 17ª fase da Operação Lava Jato, era uma recebedora de “pixuleco”, uma referência usada à propina usada por investigados no esquema de corrupção na Petrobrás e que serviu para batizar a operação. “A JD era um central de recebimento de pixuleco”, declarou o delegado da Polícia Federal Márcio Anselmo, referindo-se à  JD Assessoria e Consultoria, empresa do ex-ministro.

“Em todo tempo até hoje não há sequer uma comprovação de serviços prestados pela JD”, afirmou.

A 17ª fase da Lava Jato, batizada da Operação Pixuleco, apurou o uso de empresas de prestação de serviços da Petrobrás, uma empresa de engenharia e outro grupo empresarial que atua na área de software fora da estatal.

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O procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou que há indícios de que Dirceu e Fernando Moura, suposto lobista do pT e também pela Pixuleco, foram os responsáveis por institucionalizar o esquema de indicações políticas para cobrança de porcentuais fixos de propina.

“José Dirceu aceitou esse esquema e beneficiou esse esquema durante a fase de ministro da Casa Civil”, afirma Carlos Lima.

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Agora, segundo o procurador, surgiram evidências de que grande parte dos pagamentos de propina efetuados pelos lobistas Milton Pascowitch e seu irmão José Adolfo – ambos delatores da Lava Jato -, teve origem em licitações e contratos no âmbito da Diretoria de Serviços.

O esquema era operacionalizado por meio da empresa Jamp Engenheiros Ltda., controlada pelos irmãos Pascowitch, sob a fachada de contratos de serviços de consultoria e assessoria. Mas também há evidências de pagamentos diretos, inclusive em espécie, por meio de terceiros e no exterior. Os pagamentos tinham origem em contratos da empreiteira Engevix com a Petrobrás, bem como das empresas Hope Serviços, Personal Service, Multitek Engenharia e Grupo Consit. Os principais destinatários das propinas eram o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, preso na Operação ‘Que País é esse?’, José Dirceu, Fernando Moura e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que está preso desde abril em Curitiba.

Para o Ministério Público Federal, Fernando Moura tem papel semelhante ao do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. “Ele tinha papel relevante na formação do governo, na indicação de nomes. Nesse momento temos claro que José Dirceu era aquele que tinha a responsabilidade de dividir os cargos na administração Luiz Inácio (Lula da Silva)”, afirmou o procurador Carlos Fernando Lima.

“(Dirceu) aceitou a indicação de (Renato) Duque (ex-diretor de Serviços) para essa diretoria”, afirmou Lima.

Foi a partir da Diretoria de Serviços, que era cota do PT no esquema, que foi iniciado o trabalho de captação de empreiteiras do caso Petrobrás. Moura é empresário e muito ligado ao PT.

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