R$ 800 mil para Magna

R$ 800 mil para Magna

investigadores da Operação Ad Infinitum, fase 60 da Lava Jato, buscam identificar mulher que, a pedido do operador do PSDB Paulo Vieira de Souza, recebeu dinheiro do doleiro Adir Assad

Luiz Vassallo, Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

20 de fevereiro de 2019 | 05h55

Apartamento no bairro de Santa Teresinha onde está sediada a empresa Magna Freitas, segundo a Junta Comercial

A força-tarefa da Lava Jato identificou um contrato pagamentos por meio de um contrato supostamente fictício entre uma mulher de confiança do operador do PSDB Paulo Vieira de Souza e o doleiro Adir Assad. Trata-se de Magna Freitas de Carvalho, dona de uma empresa de recursos humanos sediada em um apartamento no bairro de Santa Teresinha, na zona norte de São Paulo, com capital de R$ 1 mil. Do doleiro, ela recebeu R$ 800 mil, de acordo com as investigações.

Vieira de Souza foi preso nesta terça, 19, na Operação Ad Infinitum, fase 60 da Lava Jato, pela terceira vez, agora investigado por suposta operação de propinas a políticos do PSDB.

A Lava Jato atribui ao ex-diretor da Dersa envolvimento em supostos esquemas de lavagem de dinheiro da Odebrecht que abasteciam ex-diretores da Petrobrás e políticos, entre eles, o ex-senador e ex-ministro Aloysio Nunes Ferreira Filho (Relações Exteriores/Governo Temer), presidente da Investe São Paulo, empresa do governo João Doria.

Segundo os investigadores, contas do ex-diretor da Dersa chegaram a ter a cifra de R$ 130 milhões na Suíça.

Vieira de Souza também teria ocultado R$ 100 milhões em sua casa em São Paulo, que seriam usados para abastecer o doleiro Adir Assad, em pagamentos a diretores e gerentes da petrolífera, em nome da Odebrecht.

“Para além desses negócios, ainda naquela época, a pedido de Paulo Vieira de Souza, Adir Assad, por meio de suas empresas, firmou contrato de tomada de serviços fictícios de consultoria de Recursos Humanos com a Magna Freitas Carvalho Recursos Humanos, no valor de R$ 800.000,00, com previsão de pagamento de 20 parcelas de aproximadamente R$ 40.000,00.55”, afirma.

Segundo a força-tarefa, o ‘negócio em apreço prestava-se ao repasse indevido de valores à titular da empresa, Magna Freitas Carvalho, pessoa ligada a Paulo Vieira de Souza, para que adquirisse um apartamento, os quais eram deduzidos da “conta-corrente” mantida entre os investigados’.

“Por meio do afastamento do sigilo bancário das empresas componentes do grupo empresarial de Adir Assad restou possível identificar a realização de pagamentos, no interregno de 06/10/2010 a 08/05/2012, a partir de contas titularizadas pela Legend Engenheiros Associados LTDA, Power to Ten Engenharia e pela SP Terraplanagem LTDA, para a Magna Freitas Carvalho Recursos Humanos no montante total de R$ 539.000,00”, relata.

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