Empresa alvo da Triplo X é ‘uma grande lavadora de dinheiro’, diz procurador

Empresa alvo da Triplo X é ‘uma grande lavadora de dinheiro’, diz procurador

Mossack Fonseca, administrada por panamenho e venezuelanos, pode abrir novas frentes de investigação da Lava Jato

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Andreza Matais e Julia Affonso

27 de janeiro de 2016 | 11h32

Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press

Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press

Alvo da Operação Triplo X, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 27, a offshore Mossack Fonseca pode abrir novas frentes de investigação na Lava Jato. Segundo o procurador regional da República, Carlos Fernando dos Santos Lima, a empresa ‘participava de um grande esquema de lavagem de dinheiro’.

“Fica evidenciado que a Mossack Fonseca era uma grande lavadora, participava de um grande esquema de lavagem. Oferecia seu serviço a esquemas dos mais diversos. Nós temos indicações de que a participação dela em outros esquema em andamento na qual não é nossa responsabilidade”, declarou o procurador.

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A Mossack Fonseca é alvo de mandado de busca e apreensão. Três investigados ligados à empresa foram presos temporariamente (válida por 5 dias): Neuci Warker, Ricardo Honório Neto e Renata Pereira Brito.

Na decisão em que manda fazer buscas nos endereços da Mossack, o juiz federal Sérgio Moro destacou. “No curso das investigações, foi constatado que diversos agentes envolvidos no esquema criminoso que vitimou a Petrobrás teriam utilizado os serviços da empresa Mossack Fonseca & Corporate Services para abertura de empresas offshores, posteriormente utilizadas para ocultar e dissimular o produto do crime de corrupção.”

A Mossack Fonseca & Corporate Services está situada na Rua 54, s/nº, Edifício Mosfon, na cidade do Panamá.

A Mossack Fonseca & Corporate Services tem representação no Brasil – a Mossack Fonseca & Co (Brasil) S/C Ltda., aberta em 30 de setembro de 1988, com endereço na Avenida Paulista, 2073, Edifício Horsa, 14º andar, Bela Vista.

Consta como sócio da Mossack Ricardo Honorio Neto, mas quem administra a empresa, segundo a Polícia Federal, é Maria Mercedes Riano Quijano, conforme se apurou na interceptação telefônica autorizada judicialmente.

A PF investiga ainda um advogado panamenho (Edison Ernesto Teano Rivera) e dois venezuelanos (Fernando Hernandez Rivero e Andres Cuesta Hernandez).

Segundo o delegado Igor Romário de Paula, da força-tarefa da Lava Jato, o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, o lobista Mário Goes e o ex-gerente executivo da estatal Pedro Barusco tiveram offshores abertas pela Mossack Fonseca. O delegado afirmou que ‘provavelmente vai se descobrir muita coisa’.

“A Mossack é bem mais ampla do que o caso Lava Jato. Ela tem demanda, porque a demanda de dinheiro sujo no Brasil é farta e precisa ser lavado. Não só ela já apresentou indícios de aparecer em outras investigações que foram deflagradas como muito provavelmente vai se descobrir muita coisa, porque a gente não pode descartar o encontro fortuito de provas para outras investigações”, disse o delegado.

Durante a entrevista coletiva, o delegado e o procurador se referiram a Renato Duque como ‘colaborador’, ao lado de Pedro Barusco. Indagado em seguida, Carlos Fernando dos Santos Lima afirmou. “Ato falho.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO, QUE DEFENDE JOÃO VACCARI NETO

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defende João Vaccari Neto, disse que a Operação Triplo X ‘não tem absolutamente nada, nenhuma suspeita’ contra o ex-tesoureiro do PT. “A Operação (Triplo X) não é dirigida ao Vaccari. E não tem nenhuma acusação formal à Bancoop. Vaccari, enquanto presidente da Bancoop, literalmente resgatou a administração da Cooperativa e a viabilizou com uma gestão eficiente, promovendo a entrega das unidades residenciais aos cooperados.”

Segundo D’Urso, ‘algumas poucas unidades ainda faltam ser entregues, muito poucas’. O advogado esclareceu que a Bancoop firmou Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) com o Ministério Público para ‘entregar essas unidades’.

Sobre o empreendimento no Guarujá, o criminalista disse que Vaccari e sua mulher, Giselda, ‘compraram uma unidade residencial, pagaram direitinho todo mês, não há nada de irregular’.

“Giselda não tem nada, ela tem o que tem o Vaccari. Eles compraram cotas da cooperaitva como qualquer outro cooperado no Guarujá, num daqueles prédios do Condomínio (Solaris). Não houve nada de irregular.”

 

COM A PALAVRA, A BANCOOP

NOTA OFICIAL

A Bancoop, tendo em conta os recentes procedimentos relacionados a empreendimento imobiliário que esteve sob sua responsabilidade, vem prestar o seguinte esclarecimento:

Em decorrência de acordo judicial celebrado com o Ministério Público de São Paulo em 20 de maio de 2008 e homologado pelo Poder Judiciário (processo nº 583.00.2007.245877-1, 37ª. Vara Cível do Foro Central de São Paulo), a Bancoop procedeu a consulta aos cooperados de seus empreendimentos para deliberação sobre a continuidade das medidas das obras em construção. A consulta fez com que, por deliberação dos cooperados, alguns empreendimentos fossem transferidos para diferentes empresas construtoras ou condomínio de construções.

Esse foi o encaminhamento dado ao empreendimento Mar Cantábrico, localizado na cidade do Guarujá, no litoral paulista. Por deliberação coletiva dos respectivos cooperados, adotada em assembleia realizada em 27 de outubro de 2009 e confirmada pela adesão individual de cada cooperado, o empreendimento foi transferido à construtora OAS Empreendimentos. Esse acordo específico de transferência foi homologado pelo Poder Judiciário em 11 de novembro de 2009 (processo nº 1190/2009, do Setor de Conciliação do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo).

Assim, desde 2009 a Bancoop não tem qualquer relação com o empreendimento Mar Cantábrico, que, inclusive teve sua denominação alterada para Solaris.

Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo

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